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‘A Graça’, novo filme de Paolo Sorrentino, é nada menos que sublime

O diretor transita entre o drama e o humor para acompanhar o fim do mandato de um presidente italiano diante de duras questões morais

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 mar 2026, 06h00 • Atualizado em 20 mar 2026, 11h09
  • Em um feito raro, o presidente italiano Mariano De Santis ostenta uma popularidade alta, que foi conquistada por sua personalidade mansa e o gosto pela transparência — características que, em tempos de lideranças extremistas no mundo, fizeram dele um bálsamo racional. Advogado de profissão, o mandatário prioriza fatos e leis, fazendo com que suas decisões raramente sejam contestáveis, muito menos polêmicas. A seis meses da aposentadoria, porém, ele é confrontado por questões éticas sem respostas simples na literatura jurídica. Entre elas, a decisão sobre sancionar ou não uma lei da eutanásia.

    O fim, seja representado pela morte ou pela conclusão de uma trajetória profissional — e a curiosidade sobre o que vem depois —, dá liga ao novo e soberbo filme do diretor Paolo Sorrentino, A Graça (La Grazia, Itália, 2025), já em cartaz nos cinemas, com o ótimo Toni Servillo na pele do presidente fictício. Sétima parceria do ator com o cineasta — e a melhor desde o premiado A Grande Beleza (2013) —, o filme usa a política não como bússola moral, mas como um cenário dramático para discorrer sobre questões existenciais e humanistas. Entre elas, a solidão do poder, no qual decisões drásticas e suas consequências recaem sobre uma única pessoa — e, logo, demandam coragem de quem as toma.

    Pressionado de um lado pela filha e braço direito, lobista pela aprovação da eutanásia, e do outro por ninguém menos do que seu vizinho mais ilustre, um papa conservador que refuta o projeto, De Santis ainda recebe uma última missão. Ele deve analisar dois pedidos de perdão presidencial, o la grazia, no termo político italiano, de dois condenados por homicídio: uma mulher que assassinou o marido abusivo e um homem que matou a esposa com Alzheimer para abreviar o sofrimento dela. Enquanto adia essas decisões importantes, o presidente, que é viúvo, se debruça sobre um mistério pessoal: descobrir com quem sua esposa teve um caso há quarenta anos.

    Transitando pelo humor e pelo drama, Sorrentino usa de forma elegante sua conhecida estética de câmeras em movimento, enquadramentos pitorescos, trilha sonora eletrônica e pequenas tramas paralelas. Entre elas, a estranha visita do presidente português a Roma. Caminhando diante de uma fila de soldados estáticos rumo ao líder italiano, o visitante idoso luta contra uma chuva com vento que desaba no local sem receber ajuda. O momento surreal traz a moral da história: o passado, representado aqui pelas tradições, deve ser encarado e desafiado contra a estagnação. Na vida e na política, é preciso olhar para a frente — mesmo perto do fim.

    Publicado em VEJA de 20 de março de 2026, edição nº 2987

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