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“Respeito é essencial”, diz Pietra Travassos, Miss Santa Catarina vítima de ataques racistas

Ela fala sobre a relevância de representar meninas negras em todo o país

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 nov 2025, 08h00 •
  • Logo após sua coroação, você recebeu ataques racistas. Como lidou com a estupidez? Fiquei muito surpresa. No início chorei, não por duvidar de mim, mas porque eram comentários muito agressivos. Minha família me apoiou muito e me ajudou a focar no lado positivo. Escolhi não me prender à negatividade. Quis aproveitar o meu momento.

    A internet potencializa esse tipo de ódio racial? Sim. É fácil atacar alguém por trás de uma tela. As pessoas esquecem que estão falando com uma pessoa de verdade, com sentimentos. Falta empatia. Não concordar é normal, mas o respeito é essencial.

    No mês da Consciência Negra, o que essa efeméride representa para você? Ganhou um significado ainda maior. É um mês que mostra a força das pessoas negras e o quanto podemos ocupar qualquer espaço. Recebi mensagens lindas de mães e meninas dizendo que se sentiram representadas. Isso é muito gratificante.

    O que acha de ter virado um exemplo para outras meninas negras? Minha mensagem a elas: acreditem em si mesmas. Não adianta o mundo te apoiar se não acredita em você mesma. Nada impede uma menina negra de participar de um concurso de miss. É preciso se desafiar.

    E qual bandeira você quer levar para o Miss Brasil? A da representatividade feminina como um todo. Acredito que todas as mulheres, negras ou brancas, devem se sentir acolhidas. Quero representar a força, a empatia e a ética das mulheres reais.

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    Como chegou ao mundo da moda? Desde pequena, sempre gostei. Entrei numa agência de modelos aos 12, aprendi passarela, expressão facial… Mais tarde, na escola pública, participei de uma gincana cultural que elegia os melhores alunos e alunas. Ganhei, e uma professora incentivou a me inscrever no Miss Santa Catarina. Fui conversar com a prefeitura da minha cidade, Siderópolis, abracei o desafio e acabei vivendo esse sonho.

    Qual seu maior sonho? Poder dar uma vida melhor para minha família. Comprar uma casa para minha mãe, reformar a dos meus avós, pagar a escola da minha irmã. Esse é o meu maior sonho — com ou sem coroa.

    Toda miss sempre diz que leu O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-­Exupéry. O que anda lendo? Li O Pequeno Príncipe quando era criança, mas não entendia muito. Agora, acabei Amêndoas, um livro sul-coreano sobre um menino que não sente emoções, e Como Eu Era Antes de Você — gostei mais do livro que do filme. Também li Cartas para Martin, que aborda racismo e violência policial. Amo fantasia: já li todos do Harry Potter três vezes e a trilogia Lendários.

    Publicado em VEJA de 14 de novembro de 2025, edição nº 2970

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