Quem disse que beleza tem que ser perfeita? 5 tendências da Semana de Moda de NY que mostram o contrário
Da bruxa glam ao azul emocional, desfiles confirmam que o rosto e o cabelo não tão perfeitos são territórios férteis de expressão e poder
A temporada de inverno 2026 em Nova York aconteceu sob neve, frio cortante e um certo desejo coletivo de fantasia — o que acabou se refletindo diretamente na beleza das passarelas. Muitas previsões feitas na última estação ganharam força agora: cabelos com movimento real, maquiagens que parecem vívidas, penteados arquitetônicos e uma estética feminina mais sombria, quase mística. O resultado é uma beleza menos perfeita, mas mais emocional e com personalidade, que sai do território da perfeição técnica e entra no campo da identidade.
A seguir, cinco direções que devem sair das passarelas direto para a vida real.
Glam gótico
A estética femme fatale domina. Tons de ameixa, vinho escuro e amora surgem nos lábios, muitas vezes combinados a unhas longuíssimas, olhos sombreados e uma atitude quase vampírica. Existe uma narrativa interessante por trás: o glamour como forma de poder feminino — historicamente associado à ideia de “bruxaria”. A beleza vira instrumento de controle da própria imagem.
Cabelo que se mexe (de verdade)
Depois de anos de ondas milimetricamente controladas, o cabelo volta a ter ar, leveza e movimento. Fios superlimpos, quase sem produto, apareceram em comprimentos longos e soltos, com frizz proposital e mechas que balançam ao caminhar. A ideia é parecer vivo — como se tivesse secado naturalmente depois de uma noite fora de casa.
Imperfeição calculada
Assimetria, maquiagem borrada e detalhes propositalmente desalinhados aparecem como reação ao excesso de filtros e à perfeição digital. É uma beleza humana, crível e até emocional. Elementos clássicos são desconstruídos: um delineado fora do eixo, um batom aplicado sem contorno preciso, uma pele com olheiras aparentes, uma sombra que parece ter sido feita com os dedos.
Coques e penteados estruturados
Os cabelos presos voltam com força, mas em versões exageradas acompanhando o maximalismo: torções duplas, volumes altos e estruturas que lembram esculturas. Há uma sensualidade interessante nesses penteados, algo entre o sofisticado e o íntimo, como se fossem feitos no quarto antes de sair para a noite.
O azul como estado de espírito
O azul aparece como a cor emocional da temporada. Sombras que vão do gelo ao cerúleo, esmaltes leitosos e pigmentos aplicados de forma difusa criam um efeito quase melancólico, etéreo. O interessante é que o azul surge menos gráfico e mais borrado — um gesto rápido, fácil de reproduzir, que tira a cor do território infantil e leva para o sofisticado.





