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Por que os perfumes do Oriente Médio se tornaram uma febre no Brasil

Fragrâncias mais densas, frascos dourados e o empurrão das redes sociais fazem os aromas das arábias tomarem as ruas

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 fev 2026, 08h00 •
  • Eles protagonizam vídeos no TikTok que atingem rapidamente milhões de visualizações. Geram filas na Rua 25 de Março e no bairro do Bom Retiro, tradicionais pontos de comércio popular em São Paulo. E, mais em conta que os prestigiados franceses, fazem lojas lucrarem alto em poucas horas durante transmissões ao vivo na internet. Em comentários nas redes sociais, uma pergunta se repete entre os usuários: “Eles grudam na roupa mesmo?”. A resposta agrada: “Sim, grudam!”. Em menos de dois anos, os perfumes árabes deixaram de ser um nicho miúdo para ganhar contornos de um fenômeno no mercado de beleza brasileiro, segundo revela um levantamento da consultoria DSM-Firmenich: as buscas por marcas egressas do Oriente Médio dispararam 24 vezes no período e, hoje, o Brasil já responde por extraordinários 40% da audiência digital sobre o tema no mundo. Enquanto as vendas da categoria de fragrâncias em geral avançam cerca de 10% ao ano, as de origem árabe registram crescimento superior a 300%.

    Um dos motores para a maciça adesão aos aromas do Oriente está justamente nas redes, onde uma ostensiva propaganda na forma de vídeos ligeiros viraliza à base de mensagens que exibem testes de fragrâncias que comparam árabes e franceses e quase sempre dão vantagem aos primeiros. O figurino, claro, ajuda. Os produtos importados dos Emirados Árabes e outras nações daquelas bandas do planeta vêm em frascos ornamentados, alojados em caixas com letras exóticas, criando uma experiência diferente, que começa antes da primeira borrifada. O desejo despertado na internet tem se convertido em vendas: foram vendidos cerca de 20 milhões de reais em 2024 desses artigos, um salto de 380% em um ano, de acordo com a empresa de análise de consumo Circana. No primeiro semestre de 2025, houve outro arranque de 340%, enquanto o restante do mercado seguia em ritmo morno.

    A fórmula em que se fia a tradicional perfumaria árabe é um trunfo. Ao contrário dos frascos ocidentais, que privilegia odores leves e voláteis, ela aposta na elevada concentração de óleos, notas densas e ingredientes milenarmente valorizados no Oriente Médio, como oud, açafrão e outras especiarias — uma combinação de características que faz o aroma de fato permanecer mais tempo na pele (e na roupa). O objetivo não é ser discreto, mas marcar presença. As brasileiras curtem (há versões masculinas, mas que não fazem o mesmo sucesso). O Lattafa Fakhar, um dos árabes mais vendidos, sai a 220 reais — cerca de um quinto do francês Dior Sauvage, por exemplo.

    Empresas nacionais já farejam a tendência e nela apostam, com uma pitada de tropicalização. A Natura começou a explorar o território ao combinar o oud, extraído de uma árvore oriental, com a brasileira copaíba no Essencial Oud, cujas vendas sobem 30% ao ano. Agora é a vez do O Boticário, que lançou a linha Hadiya, inspirada nessa tradição — o primeiro lote esgotou-se na semana de pré-venda. No Brasil, que detém o segundo maior mercado consumidor de perfumes do planeta, só atrás dos Estados Unidos, a internet já influencia até os aromas que sentimos na rua — e ele é cada vez mais coisa das arábias.

    Publicado em VEJA de 6 de fevereiro de 2026, edição nº 2981

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