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Pesquisa inédita mostra percepção dos brasileiros sobre desigualdade no país

Principal dado mostra que três em cada quatro pessoas consideram o Brasil profundamente desigual

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 set 2025, 09h30 •
  • Uma pesquisa do Observatório Fundação Itaú revelou que três em cada quatro brasileiros (77%) consideram o Brasil um país profundamente desigual. O levantamento “Percepções sobre as desigualdades no Brasil”, realizado em parceria com Plano CDE e Datafolha, ouviu 2.787 pessoas em todo o país, em junho.

    A percepção da desigualdade é ainda mais forte entre mulheres (82%), pessoas com mais idade e aquelas com menor escolaridade.

    O estudo identificou que 68% dos brasileiros percebem que pessoas brancas têm mais acesso a oportunidades no mercado de trabalho comparado às pessoas negras. Essa vantagem se estende ao acesso a boas escolas (63%) e moradia em bairros com melhor infraestrutura (60%).

    Na questão de gênero, 55% dos entrevistados acreditam que homens têm maiores chances de conseguir bons empregos com salários elevados. Essa percepção é mais acentuada entre mulheres (59%), pessoas negras (57%) e jovens de 18 a 24 anos (65%).

    Cidades grandes e oportunidades

    As desigualdades territoriais são quase consenso nacional. Cerca de sete em cada dez brasileiros afirmam que moradores de cidades grandes têm mais acesso a diversos serviços: vagas em bons empregos (77%), atividades culturais (74%), ensino superior (73%) e boas escolas (72%).

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    Apenas quatro em cada dez brasileiros (40%) se sentem totalmente respeitados no ambiente digital, proporção inferior à dos locais de trabalho (61%) e ambientes religiosos (70%).

    Para Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, o analfabetismo funcional e o vácuo na educação sobre o mundo digital gera ciclo vicioso de desigualdades no Brasil
    Para Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, o analfabetismo funcional e o vácuo na educação sobre o mundo digital gera ciclo vicioso de desigualdades no Brasil (André Seiti/Fundação Itaú/Divulgação)

    “É preocupante constatar que o ambiente digital é um dos principais cenários onde o desrespeito se manifesta”, afirma Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú. “Com o avanço de tecnologias de inteligência artificial e da plataformização das relações, a importância do meio digital em nossas vidas só tende a crescer, fazendo da construção do respeito e das relações saudáveis nesse meio algo imprescindível para a equidade brasileira.”

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    A discriminação é uma realidade para 30% dos brasileiros, que relatam ter sofrido algum tipo de preconceito. Os principais motivos são condição social (35%), religião (28%), questões de gênero (25%) e raça (24%).

    Causas identificadas

    Quando questionados sobre as origens das desigualdades, os brasileiros apontam principalmente a ausência de políticas públicas (24%) e a má gestão pública (18%). Também há forte concordância sobre o papel da impunidade diante da corrupção (76%) e questões históricas, como o racismo (47%) e o impacto da escravidão nas oportunidades para pessoas negras (44%).

    Para construir um Brasil mais justo, 30% da população considera o investimento e a melhoria da educação pública como essenciais. Quando provocados sobre o tema, 79% concordam que a educação é fundamental para reduzir a desigualdade.

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    Apesar de reconhecerem a importância da cultura, os brasileiros ainda não a veem como prioridade imediata. “Na percepção dos entrevistados, a garantia de espaços de lazer e cultura de qualidade aparece com pouca frequência entre as prioridades mencionadas. No entanto, no bloco da pesquisa em que analisamos as relações entre educação, cultura e desigualdades, fica evidente que os brasileiros reconhecem a relevância da cultura, mas percebem que o acesso a ela permanece concentrado nas classes econômicas mais altas”, explica Saron.

    “Isso nos permite interpretar que, embora valorizem a cultura, os brasileiros ainda não a reconhecem e acessam plenamente como um direito fundamental”, conclui o presidente da Fundação Itaú. “Cabe à sociedade civil, ao poder público e ao terceiro setor consolidar esse entendimento e ampliar o exercício efetivo do direito cultural.”

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