O obstáculo ao plano de renovação do edifício ‘mais feio’ de Paris
Torre Montparnasse foi o primeiro edifício arranha-céu de Paris e hoje pode se tornar um prédio abandonado
Quem visita Paris consegue identificar que, além de alguns poucos prédios, o horizonte da capital francesa é relativamente limpo, e suas construções mantêm a mesma altura, por exceção de uma: a Torre Montparnasse. Considerado o edifício “mais feio” da cidade, os planos mais recentes de renovação do gigante moderno que rasga a paisagem tipicamente francesa foram interrompidos por causa desavenças entre seus coproprietários.
A Torre Montparnasse abriu oficialmente em 1973, e por muitos anos foi considerado o arranha-céus mais alto de Paris, posto hoje dado à Torre First, edifício de 231 metros que fica na região metropolitana de Paris. Ainda em 2026, porém, outro candidato deve ocupar essa posição: a Torre Link, que já foi concluída mas ainda não foi inaugurada, e que tem mais de 240 metros de altura.
Apesar da competição acirrada, o Montparnasse marcou a história como o primeiro grande arranha-céu parisiense e como o motivo por trás da proibição que a cidade impôs sobre a construção de prédios similares em seu centro urbano. De toda forma, a estrutura mais alta de Paris continua a mesma: a Torre Eiffel, com 330 metros.
Um dos planos de renovação da torre “horrenda” inclui reformar todo o exterior com uma nova estrutura de vidro, adicionar vegetação por toda a extensão e um jardim no terraço do 16º andar, com uma estufa para agricultura no topo do prédio. O planejamento envolve também a inauguração de um hotel em três andares dentre os 59 existentes, assim como novas áreas para escritórios e outros espaços de lazer. Além disso, há uma demanda urgente: a remoção de amianto da estrutura.
Toda a gigantesca operação chegou a cerca de 800 milhões de euros (ou cerca de R$ 4,72 bilhões). O edifício conta com uma aprovação para a renovação que expira em novembro, e os executivos responsáveis pela estrutura se reuniram durante essa semana para votar o início de uma primeira fase para a renovação. Após debates e discussões sobre planejamento e os preços, mais de três quartos dos coproprietários votaram contra o projeto.
A cidade de Paris se preocupa com o destino do gigante escuro, que foi desocupado e fechado para reformas. Uma das preocupações principais é com a possibilidade dele se tornar um edifício deserto. Foi durante o verão de 2026 que bombeiros tiveram que intervir na estrutura após pedaços de vidro caírem do prédio e atingirem o chão, sem vítimas.
O prefeito de Paris já declarou sua posição sobre o caso: “Todo mundo precisa voltar à realidade”. “Eu não aceito ver um projeto que levou 10 anos para ser desenvolvido ser jogado no lixo, ou ainda ver essa estrutura mundialmente marcante cair em abandono”.







