O MAGA hair: a moda que está fazendo a cabeça das mulheres do círculo de Trump
Feitos para impressionar, eles são a versão estética do lema trumpista de fazer a América grande novamente
“Custa caro parecer barata.” A frase da cantora e atriz Dolly Parton, de 80 anos, uma loira de fios reais — é bom sempre esclarecer —, atravessou gerações de Hollywood e outros centros de imensa atividade estética. Os círculos do poder de Donald Trump parecem ter transformado a frase de Parton em lema a povoar as cabeças das mulheres que o acompanham de perto. A onda foi precedida pela “Mar-a-Lago face” — bronzeado intenso, Botox visível, lábios volumosos e pele muito polida —, adorada por quem entra e sai do resort de luxo da Flórida, território do republicanismo mais radical. Como é preciso sempre manter o dístico “Make America Great Again”, chegou a hora de um certo “MAGA hair”, um código visual que privilegia cabelos longos, densos e brilhantes, montados em ondas largas e volumes com acabamento de salão. Lembra um pouco o visual da pantera Farah Fawcett (1947-2009), que marcou época. Pois o estilo juba voltou com tudo por influência da Casa Branca. Cortes curtos, práticos e minimalistas tornaram-se praticamente inexistentes no seio do trumpismo.
O símbolo do novo tempo é Kristi Noem, secretária de Segurança Interna. Outra personagem central é Kimberly Guilfoyle, embaixadora americana na Grécia e ex-noiva do filho do presidente, Donald Trump Jr. Estão ali as indefectíveis madeixas a perder de vista e brilho de ofuscar a visão. Vale lembrar também da nora do mandachuva, Lara, casada com Eric. Abrindo um pouquinho mais o compasso, convém lembrar de Pam Bondi, procuradora-geral. A homogeneidade da turma tem um evidente discurso: a ideia é pensada para funcionar tanto diante das câmeras de televisão quanto, é claro, nas redes sociais. É de bom tom seguir o desenho. “É claramente uma imagem construída para impressionar”, diz o cabeleireiro e maquiador Celso Kamura, que trabalhou com a ex-presidente Dilma Rousseff. “E não é um visual popular, já que exige tempo, dinheiro e equipe.” Dolly Parton, insista-se, tem razão.
Não se trata, convém sublinhar, de acidente de percurso, de mera coincidência. Em 2025, o Partido Republicano destinou cerca de 59 000 dólares para serviços classificados como media preparation, de modo que ninguém desafinasse no momento de aparecer em público. É questão de gosto, claro, e o gosto muda com o tempo. Jackie Kennedy, depois Onassis, no fim dos anos 1950 e início dos 1960, sobretudo, transformou o bob volumoso em sinônimo de sofisticação política na década de 1960 — e quem a tratava com desdém, vejam a ironia, eram os republicanos. Nos anos 1980, as mulheres de Wall Street adotaram laquê como armaduras de poder corporativo. No Brasil, o “MAGA hair” ainda não pegou, nem mesmo entre as mais conservadoras. Não dá para negligenciar a onda, que uma hora quebra, mas é inquestionável que tomou a forma de um manifesto político. Um dia, quando o vento mudar de direção, não é impossível que um outro aforismo, minimalista, venha à tona, da francesa Coco Chanel (1883-1971): “Uma mulher que corta os cabelos está prestes a mudar de vida”. O fundamental: olhar o estilo sem preconceito, porque vale tudo, até mesmo os excessos. Se bobear, há mulheres nos Estados Unidos que parecem rezar pela cartilha do “MAGA hair” e votaram na democrata Kamala Harris. E a vida segue.
Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982





