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Gabriel Leone: “Cantar é um ato de coragem”

O ator de 32 anos, que fez sucesso na série Senna e no filme O Agente Secreto, explica as razões de se lançar agora na carreira musical

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 Maio 2026, 08h00

Sua carreira passa por um momento de expansão — além da atuação em sucessos como a série Senna, da Netflix, e o filme O Agente Secreto, acabou de brilhar no teatro com Hamlet, de Shakespeare, e está se lançando como cantor. Como vê essa fase? Estou num momento de muita realização. Claro que há projetos que ganham proporções enormes, como O Agente Secreto, mas o mais especial é que tanto Hamlet quanto o disco nasceram de desejos muito pessoais. E por serem tão íntimos, demoraram para acontecer. Eu queria fazer na hora certa, da forma certa. É mais uma etapa da caminhada.

Por que Hamlet apareceu justamente agora? Eu li Hamlet na escola e fiquei impressionado. Depois, estudando Shakespeare como ator, o personagem virou um sonho. Sempre soube do tamanho do desafio. Mas eu queria chegar nele ainda jovem, porque é um cara atravessado por dúvidas, por uma crise existencial ligada à juventude. Hoje sinto que encontrei esse equilíbrio. E o mais fascinante é que Hamlet continua atual, falando de deslocamento, angústia, identidade. É sobre um cara tentando entender o próprio lugar no mundo.

O que seu primeiro disco, Minhas Lágrimas, revela sobre você? Eu ouço música o dia inteiro, tenho mais de 3 000 discos de vinil em casa. Ao longo dos anos, fui colecionando canções menos conhecidas da MPB, músicas lindas que não viraram grandes sucessos, mas que sempre me emocionaram. O disco nasceu daí. E o maior desafio foi encontrar a minha voz, não a voz de um personagem. Como ator, eu cantei a serviço da dramaturgia. Agora é diferente. Sou eu ali. Sem máscara.

Na sua opinião, subir ao palco como cantor dá mais frio na barriga do que estrear um personagem na tela ou nos palcos? Dá frio na barriga igual. E acho ótimo que dê. Quando isso para de acontecer, talvez você tenha perdido o encanto. Toda vez que entrava em cena como Hamlet ou quando escuto “ação” num set de filmagem, sinto aquele nervosismo bom. Com a música, está acontecendo de uma forma mais intensa, porque é uma estreia muito pessoal. Cantar é um ato de coragem.

Depois de novelas, cinema, streaming, teatro e música, ainda existe algum sonho não realizado? Existe: dirigir. Tanto no cinema quanto no teatro. Acho que ainda tenho muito para explorar dentro da arte. E aprendi a respeitar o tempo das coisas. Foi assim com o disco, com Hamlet. Os projetos encontram a gente na hora certa.

Publicado em VEJA de 15 de maio de 2026, edição nº 2995

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