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Empresas embarcam na nostalgia dos anos 80 e retomam antigas marcas

Produtos que ficaram na memória de várias gerações ganham novas versões

Por Luiz Felipe Castro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 11h24 - Publicado em 17 jul 2022, 08h00

Quem a viveu não esquece. A década de 80 protagonizou marcos históricos em diversas áreas: na política, houve a redemocratização do Brasil e o fim da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. Michael Jackson e Madonna revolucionaram a música pop, enquanto Bill Gates e Steve Jobs começavam a conectar o planeta. Surgiram lendas do esporte como Michael Jordan e Ayrton Senna e um mundo de oportunidades se abriu com a queda do Muro de Berlim. Quatro décadas depois, aquele período continua sendo motivo de fascínio — e as grandes marcas sabem bem disso.

A Caloi, empresa brasileira de bicicletas de 124 anos, acaba de relançar a icônica Caloi Cross Extra Light, modelo do tipo BMX (motocross), que virou febre ao aparecer no filme E.T. — O Extraterrestre, de Steven Spielberg, em 1982. Sonho de consumo de nove entre dez jovens brasileiros naquele período, a releitura do veículo é, agora, sucesso absoluto — a ponto de virar um problema. A produção foi limitada a 500 unidades, 250 na cor vermelha e 250 em azul, com o trapalhão Renato Aragão como garoto-­propaganda, e as vendas se esgotaram em menos de um dia. A Caloi estabeleceu como preço sugerido 3 999 reais, mas rapidamente exemplares apareceram em sites de revendas por mais de 20 000 reais. Ainda assim, esgotaram-se rapidamente.

NAS PARADAS - Stranger Things: a série da Netflix revive modas da época -
NAS PARADAS - Stranger Things: a série da Netflix revive modas da época – (./Netflix)

Diante de críticas em razão da baixa produção e do ágio abusivo, a Caloi investe agora em uma nova leva, criada com o auxílio de colecionadores, que será vendida em 2023, ainda sem data exata, número de exemplares ou preço definidos. “Temos três tipos de público: gente que teve a bicicleta e quer relembrar, pessoas que não tinham condição de comprar antes e agora podem e aqueles que pretendem repassar essa experiência ao filho”, diz Eduardo Rocha, diretor-executivo de marketing da companhia.

Se com a Caloi Cross o objetivo era ser fiel aos detalhes da época, como a espuma no guidão, outros clássicos foram modernizados. A empresa paulista recriou a Mobylette, seu lendário ciclomotor, que ganhou uma versão elétrica com 350W de potência, autonomia para 30 quilômetros e preço sugerido de 9 000 reais. “Seguimos a tendência da eletrificação e faremos extensões dessa linha”, explica Rocha. “A berlineta, a primeira bike dobrável do país, também será eletrificada”, afirma o executivo. Rocha está na Alemanha, onde convive com outras reminiscências. Uma delas é a nova Kombi elétrica, lançada na Europa pela Volkswagen. Batizada de ID.Buzz, custa a partir de 54 430 euros (mais de 270 000 reais) e ainda não chegou ao Brasil.

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LENDA - O velho Mappin: a marca faliu em 1999, mas retornou no ambiente virtual -
LENDA - O velho Mappin: a marca faliu em 1999, mas retornou no ambiente virtual – (Sergio Berezovsky/.)

Nenhum produto cultural comprova tão bem a retomada dos 80 quanto a série Stranger Things, da Netflix, ambientada naquele período. O sucesso estrondoso de sua última temporada levou a cantora Kate Bush e a banda Metallica, que compõem a trilha sonora da trama, de volta às paradas de sucesso. Só com a reprodução de Running Up that Hill, Bush, hoje com 63 anos, já faturou mais de 2 milhões de dólares nas últimas semanas.

A viagem no tempo não se limita a produtos, mas a marcas completas. O Mappin e a Mesbla, lojas de departamento que vendiam de tudo, cujos jingles não saem da memória de quem tem mais de 40 anos, voltaram. Antes concorrentes e posteriormente unidas, elas tiveram falência decretada em 1999, na esteira da hiperinflação e da consagração dos shoppings. Agora, seus fãs podem reencontrá-las no ambiente virtual. A marca Mappin foi comprada pela Marabraz e virou um e-commerce em 2019. A Mesbla repetiu a dose em maio deste ano, após investimento de meio milhão de reais dos irmãos Marcel Jeronimo e Ricardo Viana, filhos de Alfeu Viana, que trabalhou na loja por décadas. “Fizemos esse resgate pelo elo afetivo, já que nossos pais se conheceram em uma Mesbla, no Rio, e pelo cenário promissor do e-commerce brasileiro, que cresceu 26,9% em 2021”, diz Ricardo. Seja como for, no ambiente físico ou virtual, os anos 80 voltaram com tudo, com gostinho de saudade.

Publicado em VEJA de 20 de julho de 2022, edição nº 2798

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