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Do jeitinho da vovó: bolsas de mão viram objeto de desejo

Pequenas, delicadas e muito femininas, elas evocam a nostalgia de um tempo em que nenhuma mulher elegante saía de casa sem elas

Por Simone Blanes Atualizado em 8 abr 2022, 10h23 - Publicado em 10 abr 2022, 08h00
FEBRE - Kate Middleton: a aparição com bolsa vintage dos anos 1960 fez a peça esgotar em plataforma de venda -
FEBRE - Kate Middleton: a aparição com bolsa vintage dos anos 1960 fez a peça esgotar em plataforma de venda – Samir Hussein/WireImage/Getty Images

Kate Middleton usa. Então, todas usarão. Foi só a duquesa de Cambridge aparecer com uma bolsa vintage durante visita a uma escola na Jamaica no tour pelo Caribe acompanhando o marido, o príncipe William, para o fenômeno impor-se mais uma vez: virou tendência resgatar dos armários das avós ou garimpar em brechós as bolsas de mão parecidas com as que a rainha Elizabeth, avó de William, desfilou a vida toda. Ou, na falta de uma original, recorrer a peças retrô inspiradas no desenho antigo. Delicadas, elas trazem a nostalgia do tempo em que, para sair de casa com elegância, era imprescindível levar o modelo pendurado no pulso.

A duquesa surgiu com uma bolsa Wayne Taylor laranja. Confeccionada manualmente na década de 60 no Japão, é feita de tricô de ráfia entrelaçada com contas de plástico, alça rústica de madeira e fecho metálico. O formato é retangular como o da clássica 2.55, criada em fevereiro de 1955 pela francesa Coco Chanel. A aparição de Kate fez esgotar a bolsa na plataforma de comércio eletrônico Willow Hilson, onde era oferecida pelo equivalente a 1 500 reais. O acessório foi combinado com um conjunto branco de Alexander McQueen (o blazer custa 7 750 reais), saltos Jimmy Choo (3 000 reais) e uma blusa também alaranjada da Ridley (1 500 reais). Mais elegante, impossível.

ÚNICAS - Artesanais: criações da brasileira Serpui Marie (à esq. e acima, à esq.) e da italiana Miu Miu ( à dir.) são inspiradas em desenhos originais e manufaturadas com contas, palhas e pedras -
ÚNICAS - Artesanais: criações da brasileira Serpui Marie (à esq. e acima, à esq.) e da italiana Miu Miu ( à dir.) são inspiradas em desenhos originais e manufaturadas com contas, palhas e pedras – ./Divulgação

E a bolsa, evidentemente, é que merece atenção especial. É um artigo caro, e de algum modo segue os humores do mercado. As mais raras, trabalhadas como se estivessem sendo buriladas por ourives, beiram o inalcançável. Vale sublinhar, contudo, que muito além do luxo em si, do privilégio da exclusividade, fazem sucesso por estar sintonizadas com a cultura do consumo que respeita a atemporalidade de peças eternas. Chanel sempre disse que as peças precisam durar. “Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora só porque é primavera”, repetia. Nunca o pensamento defendido pela estilista foi tão oportuno — e chique — quanto hoje. O mundo movido pelos millennials pede cuidado com o que é jogado fora. Que tal, portanto, recuperar objetos de décadas atrás? Um outro caminho é simplesmente beber da história, e para isso não é preciso ter sangue azul ou a conta bancária de artistas que bombam nas redes sociais e delas saem milionários.

Não por acaso, de olho na tendência, grifes reputadas como as italianas Miu Miu e Schiaparelli e as francesas Pierre Cardin, Yves Saint Laurent e a própria Chanel entraram no túnel do tempo com ofertas menos agressivas para o bolso. Não demorou, é claro, para que designers brasileiros pegassem a mesma onda. A marca Serpui Marie, de São Paulo, e a grife carioca Tarsila já sabem que o passado absolve, dada a elegância. As peças de Serpui são artesanais, feitas em tear de palha, atalho para delicadeza. “Elas são manufaturadas por artesãos diferentes”, diz Marie. “Dificilmente uma sai igual à outra.” A proposta da Tarsila é outra, mas igualmente impactante. As bolsas da vovó aparecem em couro macio, colorido e definidas por linhas contemporâneas, em um belo exemplo de reinterpretação de um clássico que nunca deixou de ser admirado pelas mulheres ao longo das décadas.

MODERNAS - A tiracolo: as peças da grife carioca Tarsila têm linhas contemporâneas e discretas -
MODERNAS - A tiracolo: as peças da grife carioca Tarsila têm linhas contemporâneas e discretas – ./Divulgação

Há explicação? Sim. Exalam evidente feminilidade e elegância à prova do tempo, intocáveis, enquanto modas vêm e vão. Desde o século XVIII, quando as bolsas foram reconhecidas como acessório feminino fundamental, os exemplares diminutos entraram em cena para nunca mais sair. E talvez seja o caso, no andar da carruagem, de mudar a nomenclatura. São agora artefatos de todas as mulheres, e não mais das mães de nossos pais.

Publicado em VEJA de 13 de abril de 2022, edição nº 2784

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