Brasil investe pouco em saneamento básico: pelo menos 10 vezes menos do que países desenvolvidos
Ranking do Instituto Trata Brasil a maioria dos 100 municípios mais populosos do país gasta menos de R$ 100 por habitante ao ano
O Brasil ainda investe pouco em saneamento básico — pelo menos dez vezes menos que países desenvolvidos. Essa é a principal conclusão do novo ranking do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta quarta-feira, 18. O estudo mostra que mais da metade dos 100 municípios mais populosos do país gasta menos de R$ 100 por habitante ao ano, patamar considerado insuficiente para a expansão e universalização dos serviços. O levantamento se baseia em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, referentes a 2024 — o período mais recente com informações consolidadas.
Segundo o relatório, o investimento médio nas grandes cidades gira em torno de R$ 100 por habitante ao ano, enquanto o nível considerado adequado seria de aproximadamente R$ 220. Na prática, isso significa que o país aplica menos da metade do necessário, o que ajuda a explicar a lentidão na ampliação do acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto.
O diagnóstico reforça um problema estrutural. Mesmo com avanços regulatórios recentes, o ritmo de investimento segue desigual e insuficiente, especialmente nos grandes centros urbanos, onde se concentra a maior parte da população sem acesso pleno aos serviços. Em termos internacionais, o Brasil ainda está no patamar médio da América Latina, mas distante de países desenvolvidos, que mantêm investimentos significativamente mais elevados e contínuos ao longo do tempo.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os níveis de cobertura são praticamente universalizados, resultado de décadas de aportes robustos e planejamento de longo prazo. Embora os modelos de financiamento e gestão sejam distintos, a diferença evidencia o tamanho do desafio brasileiro — sobretudo na expansão da coleta e do tratamento de esgoto, considerados os principais gargalos do setor.





