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Brasil aumenta consumo de vinhos importados

Brasileiro eleva consumo e amplia a variedade de rótulos, revelando amadurecimento do mercado no país

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 fev 2026, 20h21 • Atualizado em 19 fev 2026, 20h38
  • Contrariando a tendência mundial de queda no consumo de vinho, o Brasil ampliou a importação da bebida nos últimos dois anos. Entre 2023 e 2025, o gasto com vinhos importados cresceu 20% — e o avanço não se explica apenas pela pressão cambial. Houve também aumento de volume (14,5%), segundo levantamento do Ministério da Agricultura. Desde a pandemia, o vinho deixou de ser um produto estritamente ocasional e passou a integrar o consumo doméstico regular. Além da ampliação da base de consumidores, o brasileiro passou a ter mais familiaridade com diferentes uvas e estilos.

    O Chile segue na liderança como principal fornecedor, com US$ 213 milhões em 2025, seguido por Argentina (US$ 101,4 milhões) e Portugal (US$ 84,4 milhões). Entre os europeus, Portugal mantém a dianteira, mas a Itália vem consolidando posição estratégica, com crescimento contínuo das exportações ao Brasil: passou de US$ 38,5 milhões em 2023 para US$ 49,4 milhões em 2025, à frente da Espanha e em patamar próximo ao da França, que também registrou forte alta no período.

    Os vinhos chilenos foram a principal porta de entrada do consumidor brasileiro para os rótulos importados. Seduziram — e ainda seduzem — pela combinação de qualidade e preço competitivo. “Esse protagonismo se explica por fatores logísticos e acordos comerciais favoráveis”, afirma Massimo De Grandis, especialista do mercado de vinhos e managing director para a América Latina da vinícola italiana Castellani. O Chile mantém acordo de livre comércio com o Brasil no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), o que garante tarifa zero para vinhos — vantagem decisiva frente a produtores europeus. A proximidade geográfica também reduz custos logísticos e prazos de entrega, permitindo preços mais estáveis mesmo em cenários de dólar elevado. “Além disso, o estilo sensorial costuma ser mais acessível ao paladar de quem está começando, com perfil frutado, menor acidez e taninos mais macios”, acrescenta De Grandis.

    Em paralelo, o consumidor passou a encontrar maior diversidade nas prateleiras de supermercados e enotecas. Se antes a oferta era concentrada em rótulos simples, hoje o mercado reúne ampla variedade de origens, uvas e estilos. Cursos, degustações e ações promovidas por importadores também contribuíram para a formação de novos paladares. “O consumidor brasileiro evoluiu de forma significativa nas últimas décadas”, afirma Elias Cabral, sommelier profissional e representante comercial da Italy’s Wine São Paulo. “O contato constante com novas experiências fez surgir um consumidor mais curioso, informado e disposto a explorar vinhos com maior complexidade, origem definida e identidade sensorial.”

    Ainda assim, o consumo de vinho no Brasil permanece relativamente baixo em comparação com padrões internacionais, que giram em torno de 4 litros per capita ao ano. No país, a estimativa é de cerca de 2,5 litros anuais por pessoa — pouco mais de três garrafas por ano.

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