Victoria Beckham em Paris: passarela perfeita, família nem tanto
No desfile da estilista em Paris, a moda brilhou, mas a ausência do filho Brooklyn revelou fissuras no império familiar
Na passarela, disciplina, elegância e controle absoluto. Na primeira fila, chamava a atenção um lugar vazio. Assim foi o desfile de Victoria Beckham na Semana de Moda de Paris: clima de sucesso profissional, mas com silêncio incômodo. Enquanto modelos desfilavam ternos precisos e vestidos de festa em tons luminosos, inspirados na pintora art déco Tamara de Lempicka, era esse o detalhe que escapava ao roteiro perfeito – a ausência de Brooklyn Beckham, o filho mais velho da estilista, depois da polêmica pública em que ele criticou os pais publicamente e expôs tensões dentro do clã nas redes sociais. Ali, porém, nenhuma palavra sobre o assunto. Nem na passarela, nem entre os convidados, nem na primeira fila onde estavam Romeo James, Harper Seven, Cruz David e a namorada, Jackie Apostel, nem no backstage onde apareceu David Beckham.
O ex-jogador levou à mulher uma taça de vinho tinto enquanto ela falava com jornalistas. O tema da conversa, cuidadosamente conduzido, era arte. Victoria explicou que buscou nas cores intensas e nas linhas sinuosas de Lempicka, a referência para os vestidos desta temporada — peças em coral e jade que contrastavam com a base sóbria da coleção.
O desfile abriu com um grande casaco marinho usado sobre um terno de alfaiataria. A sequência seguiu com muitos looks de corte preciso, em tons neutros, que reforçam a assinatura da marca: minimalismo elegante e funcional. A própria Victoria apareceu, como de costume, vestindo um terno — quase um manifesto pessoal. “Adoro como um bom bolso numa calça melhora a silhueta e define a cintura”, comentou. “Sou a rainha dos bolsos.”
Entre os ternos e tricôs estruturados, surgiram também roupas de festa: vestidos iridescentes, malhas abertas nas costas e saias ricamente bordadas. A coleção chega num momento particularmente positivo para o negócio. Há quatro anos, a marca enfrentava dívidas que ultrapassavam 50 milhões de libras e corria risco de fechar. Hoje, o cenário é outro. A expansão para maquiagem e beleza — um setor mais acessível do que os casacos de 1.500 euros — ajudou a reequilibrar as contas e ampliar o alcance da marca. Em 2025, as vendas combinadas de moda e beleza cresceram cerca de 19%, ultrapassando 170 milhões de dólares, com o lucro operacional multiplicado.
Novas lojas em Nova York e Paris estão previstas para este ano, somando-se à boutique principal em Londres — mesmo após o impacto financeiro da crise do varejista americano Saks, antigo parceiro importante da marca. Parte desse novo fôlego também vem da visibilidade crescente do casal nos Estados Unidos. O sucesso de David à frente do clube Inter Miami e o documentário sobre o casal lançado pela Netflix ampliaram a popularidade da família além do público que já os conhecia desde os tempos de David Beckham nos gramados — primeiro na Europa e depois na passagem pelo LA Galaxy.
Mas, naquela noite em Paris, nem o crescimento da marca, nem a inspiração artística, nem o desfile impecável conseguiram apagar o detalhe mais comentado pelos cantos do evento. Entre fotógrafos, celebridades e membros do clã Beckham alinhados na primeira fila, faltava justamente quem, por anos, simbolizou a continuidade da dinastia. A passarela estava perfeita. A família, nem tanto.





