Nada a ver com Kate Moss: o curioso olhar de Cara Delevingne para Topshop
Em sua primeira coleção assinada para a marca, modelo deixa de lado seu estilo pessoal e cria peças 'para outras pessoas usarem'
Cara Delevingne tem um estilo muito pessoal. Muito singular, muito a cara dela. Mas decidiu, em sua estreia como diretora criativa da Topshop, escapar totalmente dele. Mais de uma década depois de estrelar uma campanha em 2014, a modelo, atriz e cantora surge agora assinando uma surpreendente coleção própria, que reúne 16 peças e parte desse princípio no mínimo curioso para alguém tão associada a um estilo particular. E o motivo pode ser bem simples: em vez de fazer o que a maioria das pessoas que assinam coleções faz — criar roupas para si —, ela resolveu colocar o olhar de designer em primeiro plano e pensar em peças que pudessem vestir diferentes pessoas e estilos.
O resultado passa por jeans de modelagem ampla, culotes, minivestidos de ombro à mostra, trench coat cropped, alfaiataria risca de giz e saias longas. Poucas peças, como a regata branca, o jeans de corte reto e o conjunto de alfaiataria, conversam diretamente com o visual mais conhecido da modelo. Mas a maioria mostra uma Cara menos previsível — como a saia longa de denim, que ela própria admite ser o tipo de peça que poderia admirar em outra pessoa antes de imaginar em si mesma.
A coleção também carrega uma forte identidade londrina. Assimétricos remetem, segundo Cara, à arquitetura da cidade, enquanto a mistura de épocas, peças vintage e novidades traduz uma maneira de vestir que ela considera essencialmente britânica. O denim aparece com força justamente por essa ideia de permanência: são roupas pensadas para entrar no armário, envelhecer bem e continuar sendo usadas.
A comparação com Kate Moss, naturalmente, era inevitável. Afinal, a Kate foi responsável por 15 coleções para a Topshop e transformou seu próprio estilo em uma espécie de manual de desejo para a marca. Cara, porém, prefere marcar distância. “Eu nunca poderia ser a Kate”, disse à Vogue britânica, reconhecendo na modelo uma força impossível de reproduzir. Se Kate levou sua personalidade para as araras, Cara escolheu fazer o movimento contrário: deixar que as roupas encontrem quem vai usá-las.
Até a campanha reforça essa ideia. Cara não aparece como protagonista, numa tentativa de fazer com que a coleção seja representada pelas pessoas que vão vesti-la. É uma estreia, portanto, menos sobre uma celebridade desenhando roupas e mais sobre uma modelo conhecida por sua atitude descobrindo o que acontece quando deixa de ser a referência e passa a observar o mundo como designer.







