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Das passarelas às ruas, a moda em movimento

Marilyn Monroe está mais na moda (e nos closets) do que nunca

Vestidos, joias e peças pessoais da estrela vão a leilão no ano de seu centenário e reforçam a febre fashion por objetos carregados de história

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 Maio 2026, 20h00 | Atualizado em 12 Maio 2026, 12h17

“A imperfeição é beleza, a loucura é genialidade e é melhor ser absolutamente ridícula do que absolutamente entediante.” A frase de Marilyn Monroe poderia funcionar como descrição perfeita de sua própria imagem: exuberante, contraditória, impossível de esquecer. Agora, às vésperas dos 100 anos de nascimento da atriz, o guarda-roupa da mulher que melhor representa o glamour moderno retorna ao centro do desejo em uma série de leilões que prometem movimentar o mercado fashion internacional.

Entre maio e junho, vestidos, joias, manuscritos, cartas e objetos pessoais da estrela serão colocados sob o martelo em vendas especiais organizadas pelas casas Heritage Auctions e Julien’s Auctions. A data acompanha as celebrações do centenário de Marilyn, nascida em 1º de junho de 1926, e ajuda a consolidar um movimento cada vez mais forte: a transformação da moda em peça de coleção, memória afetiva e ativo cultural.

Se antes leilões eram território quase exclusivo de pinturas, antiguidades e joias raras, hoje o grande magnetismo está nos closets históricos. VEJA já havia antecipado recentemente essa nova obsessão da geração Z e dos millennials por peças carregadas de procedência e narrativa. Vieram os figurinos de Carrie Bradshaw em “And Just Like That…”, o guarda-roupa pessoal de Gwyneth Paltrow, os itens ligados a Carolyn Bessette-Kennedy e os objetos extravagantes de Elton John. Com Marilyn, porém, o fenômeno ganha uma dimensão quase mítica.

A Heritage Auctions apresentará um conjunto de itens inéditos vindos do espólio do dramaturgo Norman Rosten e de sua mulher, Hedda, amigos íntimos da atriz. O acervo se concentra justamente no período mais emblemático de Marilyn — entre 1955 e 1962 —, quando ela consolidou sua imagem como maior símbolo sexual de Hollywood enquanto tentava equilibrar fama, insegurança e vida pessoal.

Entre os destaques está um tailleur de lã da Christian Dior usado durante sua lua de mel com Joe DiMaggio. Também aparecem joias pessoais, desenhos, poemas, bilhetes manuscritos e cartas nunca exibidas publicamente. “Marilyn é simplesmente um ícone”, resumiu Brian Chanes, diretor de entretenimento da Heritage Auctions, durante a apresentação da coleção.

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Tailleur Christian Dior que Marilyn Monroe usou em lua de mel
Tailleur Christian Dior que Marilyn Monroe usou em lua de mel (Getty Images/Getty Images)

Já a Julien’s Auctions prepara o evento “100 Years of Marilyn”, com cerca de 400 lotes dedicados exclusivamente à atriz. Entre eles, um figurino de chiffon e cristais atribuído ao lendário figurinista William Travilla, criado para “Os Homens Preferem as Loiras” (1953). Não é difícil entender o fascínio. O imaginário visual de Marilyn segue praticamente intacto: os vestidos colados ao corpo, o brilho cinematográfico, o rosa exuberante, os bordados luminosos e a sensualidade cuidadosamente construída continuam influenciando campanhas, tapetes vermelhos e coleções de moda mais de seis décadas depois.

Joias de Marilyn Monroe serão leiloadas pela Heritage Auctions
Joias de Marilyn Monroe serão leiloadas pela Heritage Auctions (Arafat Barbakh/Reuters)
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Paralelamente aos leilões, o Academy Museum of Motion Pictures abrirá a exposição “Marilyn Monroe: Hollywood Icon”, reunindo figurinos originais usados pela atriz no cinema. É mais um sinal de como a moda deixou de ser vista apenas como consumo efêmero para ocupar definitivamente o território da cultura e da arte. Não por acaso, o Metropolitan Museum of Art elevou a moda ao centro de suas galerias e transformou o Met Gala em uma das maiores vitrines culturais e financeiras do planeta.

Existe ainda uma camada emocional que ajuda a explicar o apetite crescente por esse tipo de leilão. Em um momento em que o luxo tradicional sofre desgaste e as tendências parecem descartáveis demais, peças com história oferecem exatamente o contrário: permanência. Comprar algo que pertenceu a Marilyn não significa apenas adquirir um vestido vintage. Significa tocar, ainda que simbolicamente, uma narrativa que o mundo nunca conseguiu abandonar. Talvez seja isso que a nova geração tenha entendido antes de todo mundo: no mercado contemporâneo, a raridade mais valiosa já não é apenas estética. É emocional.

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