Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Vitrine

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Das passarelas às ruas, a moda em movimento

E se Carolyn Bessete-Kennedy estivesse na primeira fila da Calvin Klein?

Desfile de outono/inverno da marca reacende a pergunta sobre o verdadeiro minimalismo em tempos de exageros na moda

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 fev 2026, 14h14 • Atualizado em 18 fev 2026, 14h28
  • O estilo de Carolyn Bessette-Kennedy é daqueles que não pertencem a uma época — tem mais a ver com atitude. Era silencioso, preciso, quase austero e, justamente por isso, inesquecível. Só que, nesse momento, a moda global mergulha em volumes dramáticos, cores intensas, brilhos e sobreposições. Um retorno ao excesso que contrasta com a estreia de “Love Story”, série que revisita a relação de Carolyn com John F. Kennedy Jr. — casal que se tornou um mito cultural nos anos 1990, tanto pelo glamour quanto pelo desfecho trágico (morreram em um acidente de avião em 1999) — e a coloca novamente sob os holofotes como mulher que construiu sua imagem no oposto: a contenção absoluta.

    Além da narrativa romântica, a produção de Ryan Murphy também traz à tona um elemento que já desperta desejo entre fashionistas: o figurino. A série recria com precisão o guarda-roupa que Carolyn usava dentro e fora do trabalho na Calvin Klein, onde ela atuou como relações públicas antes de se tornar ícone de estilo.

    E é aí que mora o contraste interessante com o momento atual. Hoje, o maximalismo domina em silhuetas amplas, texturas misturadas, referências históricas sobrepostas e estética quase teatral. Carolyn, porém, representava outra lógica — um minimalismo de identidade, com paleta neutra, cortes impecáveis, ausência de ornamento, sensualidade sugerida e não declarada. Era um luxo intelectual — algo raro até hoje.

    Talvez, exatamente por vivermos esse auge do maximalismo, o estilo dela volte a parecer tão fresco. E o desfile da Calvin Klein, com coleção sob o olhar da diretora criativa Veronica Leoni, fez inevitavelmente surgir a questão: o que Carolyn acharia de tudo isso?

    A resposta pode ser complexa. A coleção buscou referências no fim dos anos 1970 e início dos 1980, antes de a marca consolidar o minimalismo que a transformou em sinônimo de sofisticação urbana. O resultado foi um desfile com ideias interessantes, mas, por vezes, desconectadas entre si — com ternos sem mangas que destacavam os braços, alfaiatarias abertas nas costas e vestidos aparentemente clássicos que revelavam surpresas inesperadas quando vistos de outro ângulo.

    Continua após a publicidade

    Ainda assim, houve momentos muito Calvin Klein: o vestido branco de regata com acabamento delicado, o trench coat em camadas, a silhueta limpa de um vestido tomara-que-caia que parecia desenhado com uma única linha. Peças que conversam diretamente com o imaginário que Carolyn ajudou a construir.

    Como o olho humano busca equilíbrio — e a indústria acompanha — movimentos opostos se alimentam. Quando tudo fica barulhento, o silêncio ganha força. Quando há excesso de informação visual, a limpeza se torna sofisticada e, por isso, a influência de Carolyn agora não significa que o maximalismo vai desaparecer, mas sim que pode surgir uma convivência: peças exuberantes combinadas com bases limpas, acessórios dramáticos sobre roupas simples, ou o inverso — o que já se vê nas passarelas e no street style.

    Vale lembrar ainda que o minimalismo contemporâneo não é o mesmo dos anos 1990. Ele aparece mais sensual, mais arquitetônico, às vezes até com um toque de ousadia — costas abertas, transparências sutis, recortes estratégicos. Menos puritano e muito mais consciente do corpo.

    Continua após a publicidade

    Assim, se estivesse viva, talvez Carolyn continuasse fiel ao seu uniforme silencioso. Ou reinterpretasse o momento com a mesma inteligência com que sempre se vestiu: escolhendo apenas um elemento de excesso e deixando todo o resto respirar. Nunca vamos saber, mas dá para arriscar uma visão baseada no que sabemos sobre seu poder na moda: a edição — escolher menos, mas escolher melhor. Quem sabe fosse justamente isso que ela procuraria no desfile: clareza. Carolyn sabia que verdadeiro luxo não está na novidade, mas na precisão. E há algo profundamente poético em roupas que não gritam como um sussurro elegante que atravessa o tempo e permanece.

    Calvin Klein outono 2026
    Calvin Klein outono 2026 (Cortesia Calvin Klein/Divulgação)

     

    Calvin Klein outono 2026
    Calvin Klein outono 2026 (Cortesia Calvin Klein/Divulgação)
    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).