Vila Isabel em terceiro lugar no Carnaval 2026, ao pintar Sapucaí em cores
Escola conquistou o terceiro lugar com uma homenagem a Heitor dos Prazeres
A Unidos de Vila Isabel quase se consagrou campeã do Carnaval do Rio 2026. A escola foi a segunda a desfilar na terça-feira, 17, e levou à Sapucaí o enredo Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África, em homenagem a Heitor dos Prazeres, criador do termo “Pequena África” e um dos pioneiros na composição dos sambas. O último título da escola de samba foi em 2013. Agora termina na terceira posição.
Heitor dos Prazeres foi amigo de Noel Rosa, um dos maiores compositores da história da escola, e tinha profundas ligações com a Vila Isabel. Os “sonhos” de Heitor foram o fio condutor do desfile. O objetivo era retratar como o samba ocupava um local festivo na vida do artista, que era conectado com sua comunidade. Interpretada por Tinga e composta por Andre Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho, o samba-enredo tratou a mesma ideia.
Sonhei macumbembê, sonho samborembá
Macumba é samba, e o samba é macumba
Pode até fazer quizumba, só não pode é separar
Sonho samborembá, macumbembê
Vem da mãe-terra, firmou ponto na Bahia
E na África Pequena germinou pra florescer
Ê, quilombo… é a Pedra do Sal
Arraigou em terreiro e quintal
No chão batido assentou o fundamento
Foi o Lino de madrinha
De padrinho, espelhamento
Flutuou na capoeira ao perfume de Ciata
Negro príncipe de ouro…
O anjo de asas de prata
Um ogã-alabê, macumbeiro
A fumaça do cachimbo, preto-velho soprou
Encanto da gira e da roda de bamba
Poesia na curimba, batuqueiro e cantador
Foi do lundu e do cateretê
Alinhou no linho santo, cavaquinho na mão
Apaixonado pierrot, afro-rei
A flecha certeira de Oxóssi na canção
Reluz nas escolas, em Noel e Cartola
Ganhou o mundo com o mundo de Paulo Brazão
De todos os tons, a Vila Negra é
De todos os sons, a Negra Vila é
De China e Ferreira, Mocambo Macacos e Pau da Bandeira
Da nossa favela branca e azul do céu
No branco da tela, o azul do pincel
Vem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel
Ora yê yê ô, Oxum
Kabecilê, Xangô
Meus sonhos e tambores, tintas e “prazeres”
Pra você, Heitor





