Quanto a TV Globo perde com saída de Bonner do ‘Jornal Nacional’
Análise da coluna GENTE para bastidores de mexida da emissora no principal telejornal do país
William Bonner já estava saindo de cena há meses, quando, nesta segunda-feira, 1, a TV Globo anunciou, enfim, que os boatos que circulavam com seu nome se concretizaram. A equipe já percebia o movimento da emissora em colocar foco total no nome de Cesar Tralli em várias situações estratégicas – como na festa dos 60 anos. Essa negociação de troca foi cirúrgica, afinal o JN é um transatlântico difícil de mudar de rota de uma hora para outra. O que mais pesou foi que Bonner queria mesmo sair – estava cansado da pressão diária de comandar o principal telejornal do país, como fazia há 29 anos. A próxima eleição presidencial, já estava avisado, não estaria à frente da cobertura.
A maior perda é, sem dúvidas, o olhar de Bonner como editor-chefe do telejornal. Ele tem, como poucos, exata ideia do tamanho do JN. “É uma posição comparada a uma tremenda bala de canhão, tem que tomar cuidado com tudo o que fala”, comparou uma fonte à coluna GENTE. É um fardo que vai da pressão por não poder ter uma vida simples, como ir a uma padaria em paz, a ter que conviver diariamente com xingamentos da patrulha ideológica e o medo da violência cotidiana. “Globolixo” era o xingamento mais usual que ouvia.
O nome de Tralli é muito bem avaliado pelos pares – e Bonner teve decisão conjunta com a direção para sacramentar seu substituto. Considerado um apresentador carismático e repleto de fonte com autoridades, Tralli tem nesse diferencial o ativo que pode fazer a diferença em sua nova trajetória. Além disso, é presença firme nas redes sociais, antenado com os tempos atuais.
Enquanto Bonner já dizia abertamente na redação que queria ir para o Globo Repórter, a direção tentava costurar um programa próprio para ele, como Pedro Bial também ganhou nas madrugadas da Globo, o simpático Conversa com Bial. Se não houve ainda um denominador comum quanto ao projeto, o fato é que Bonner tem carta branca para opinar e decidir o que fazer com seu futuro profissional. Até já se cogita que seu nome seja indicado para o Conselho Administrativo da Globo ano que vem. Por ora, se contentará em fazer matérias especiais. Verá, à distância, o circo da política pegar fogo em 2026.





