Por que parte da direita nega vitória de Wagner Moura e ‘O Agente Secreto’
Filme foi destaque durante o Globo de Ouro neste domingo, 11
Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama no domingo, 11. Em seu discurso, falou em português e celebrou a cultura brasileira. “Para todo mundo no Brasil, assistindo isso agora: viva o Brasil, viva a cultura brasileira”. O filme O Agente Secreto venceu em duas categorias, levando também como Melhor Filme de língua não-inglesa. Um feito que deveria dar orgulho a todo brasileiro, certo? Nem tanto. Para parte da direita nacional, não faltaram críticas a este importante capítulo da nossa indústria audiovisual.
Misturando alhos com bugalhos, a vereadora de São Paulo Janaína Paschoal (PP) reagiu à vitória de Wagner Moura no 83º Globo de Ouro assim: “É típico de ditaduras, o governo enaltecer tal prêmio, em sucessivas postagens, dos mais diversos órgãos; e calar sobre a Revolução iraniana, que já levou à morte 500 pessoas, que só pediam liberdade para viver como desejavam viver”. O deputado federal Mario Frias (PL) não celebrou a conquista do ator e disse que ele é “sustentado por um Estado corrupto”.
Nas redes sociais, o ex-ator de Malhação e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro afirmou que Wagner “apoia ditaduras” como de Lula: “Esse sujeito posa de defensor da democracia enquanto apoia ditaduras como as de Maduro, Chávez e Lula, além de políticos que flertam abertamente com autoritarismo”. Já o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia criticou o ator, lembrando que ele chamou o ex-presidente de fascista. O pastor mandou o protagonista de O Agente Secreto ir morar em Cuba. “Para esse artista cretino, governo bom é dar aumento de 18 reais para professores e 18 bilhões para o que eles chamam de cultura”, escreveu. Em outra publicação, afirmou que o ator faz “propaganda de governo corrupto”.
Mas por que o filme vencedor do Globo de Ouro não é unanimidade no país? A começar pelo seu teor histórico-narrativo. Fala sobre perseguição e tortura durante a Ditadura Militar na cidade de Recife, na década de 1970. Um assunto que parte da direita ignora e tenta apagar a todo custo das páginas de História. Na guerra das narrativas políticas que dita a atual fase da era digital, alguém sofreu um duro golpe com um troféu reluzente vindo de Los Angeles, Estados Unidos. E ainda há real chance de Oscar que se avizinha, para ira de uns e esperança de outros.





