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‘Personagem bom tem que ter contradições’, diz biógrafo de Cássia Eller

Tom Cardoso lança livro sobre trajetória da cantora, morta em 2001

Por Nara Boechat Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 nov 2025, 12h00 •
  • Quase 25 anos após sua morte, Cássia Eller (1962-2001) ganhou um novo retrato em Eu Quero Ser Cássia Eller (ed. HarperCollins), biografia escrita por Tom Cardoso. A ideia nasceu depois que o autor mergulhou na vida de outra grande artista brasileira, Nara Leão (1942–1989), e percebeu que ainda havia uma lacuna sobre Cássia.

    “Eu sempre tive admiração por Cássia e curiosidade sobre a personagem. Cheguei a entrevistá-la algumas vezes e fiquei impressionado com sua timidez, o jeito lacônico, o avesso do avesso do avesso do que ela era no palco, toda para fora. Esses paradoxos fizeram tomar a decisão de escrever sobre ela”, explica o autor à coluna GENTE.

    O livro acompanha a trajetória da cantora – da infância no subúrbio carioca ao estrelato com a música – e costura relatos e memórias de pessoas próximas, entre elas a viúva, Eugênia, autora do prefácio. Já o título surgiu da música de mesmo nome de Péricles Cavalcanti, feita em homenagem à artista. “Achei que daria um ótimo título para o livro, já que Cássia tentou diversas vezes ser ela mesma e só no final da carreira conseguiu, a partir da parceria com Nando Reis”, conta.

    O biógrafo revisita episódios decisivos da jornada da cantora, marcada por tensões com a indústria fonográfica. “Os donos de gravadoras queriam que ela gravasse canções mais comerciais. Ela chegou a gravar uma música da Marisa Monte e do Moraes Moreira, Palavras ao Vento, por imposição do seu empresário na época, Leonardo Neto, o mesmo de Marisa. Com Nando Reis, produtor de seus discos a partir de O Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você), ela alcançou o sucesso sem precisar fazer concessões”.

    Autor de biografias de figuras emblemáticas do país, como o jogador Sócrates (1954-2011) e Chico Buarque, 81, Tom Cardoso não escolhe seus homenageados somente pela fama: “Costumo dizer que um bom personagem tem que ter uma sarjeta, uma história de vida de altos e baixos, muitas ambivalências, contradições. Escrevi sobre Sócrates e não sobre Zico. O que explico meu fascínio por Cássia Eller”.

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