Os ‘esquerdo machos’ invadiram a TV: o que é ser ‘homem performático’
Coluna GENTE conversa com Felipe Viero, pesquisador na área de gênero e sexualidade do Departamento de Comunicação da UFMG
Está em alta nas redes sociais, principalmente no TikTok, vídeos sobre o que seria um “homem performático”. A palavra, assim como conceitos como ‘woke’, tem se transformado nos últimos anos. Surgiu como conceito filosófico – a estudiosa de gênero Judith Butler, por exemplo, argumentava que todo gênero é performativo.
O homem performático, no geral, é aquele que seleciona sua estética de uma forma que, em sua opinião, pode torná-lo mais simpático às mulheres progressistas. Ou seja, segundo os estereótipos modernos, trata-se daquele que lê livros no metrô, usa ecobag, fala de feminismo… Tudo isso na tentativa de chamar atenção do olhar do sexo oposto. No Brasil, o arquétipo relativamente novo nas mídias sociais se assemelha ao que seria o “esquerdomacho”, já popularizado e traduzido em figuras públicas. Trata-se do homem descolado, que vai a uma roda de samba, declara seu voto em partidos de esquerda, se mostra desconstruído até a ponto de se assumir “feminista”.
Na ficção, os exemplos são vários. Além do Afonso (Humberto Carrão) em Vale Tudo, há o arquiteto Paulo (Emilio Dantas), da série Todas as Mulheres do Mundo; Jove (Jesuíta Barbosa), de Pantanal; e Ari (Chay Suede) de Travessia; entre outros. Nesse sentido, a coluna GENTE conversou com Felipe Viero, pesquisador na área de comunicação, gênero e sexualidade, professor do Departamento de Comunicação da UFMG, que explica o “performative male”.
“Essa discussão de homem performático, termo que ganhou força nos Estados Unidos, tem uma tradução no Brasil ao que seria equivalente ao esquerdo macho. É interessante até, porque quando a gente fala em mídia e pensa a telenovela, por exemplo, o esquerdo macho ou o homem performático seria o Afonso Roitman. Ele se coloca como sujeito mais sensível, numa posição de escuta em relação a demandas do feminismo, mas não necessariamente deixa de ser machista. Na verdade, o homem performático seria um sujeito que tem consciência de que a masculinidade marcada por uma brutalidade, pela violência de gênero, não é tão bem vista em todos os círculos. Então performa uma masculinidade que considera ser mais aceitável, mais condizente com valores plurais, mais democráticos. A crítica que se coloca, no entanto, é que esse sujeito muitas vezes se mostra dessa forma, adota esse discurso, mas não necessariamente o vivencia”.
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