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‘O que há 10 anos podia, hoje não pode’, diz escritor sobre Carnaval

Fábio Fabato lança livro com historiador Luiz Antonio Simas

Por Tatiana Moura 25 jan 2026, 16h00 • Atualizado em 25 jan 2026, 16h19
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    Fábio Fabato, ao lado do historiador Luiz Antônio Simas, decidiu relançar o livro Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos (Ed. Mórula), após 10 anos da primeira edição. Com a ‘nova’ obra, os principais acontecimentos da última década e mudanças dentro do mundo do samba foram adicionados. Além disso, os novos rostos do Carnaval surgiram e mudaram a visão sobre os enredos para as agremiações.

    A decisão de fazer uma nova versão do livro e adicionar outras histórias surgiu pelas constantes transformações que ocorreram dentro e fora da Sapucaí, como os três dias de desfile, luzes no sambódromo, regras para as notas e o aumento do uso da tecnologia dentro dos carros alegóricos. “Merece ser atualizado porque é muito maneiro e muito importante. Na época, já era referência e mapeou muito bem o Carnaval de 1932 a 2015, agora faz a comparação de 2016 até 2025. E ele é uma das poucas obras sobre esse tema, então precisa ser revisitado”, reflete.

    Quando publicaram o livro pela primeira vez, Fábio pensou que os enredos estavam perdendo força, pela quantidade de trabalhos com patrocínios de marcas ou governos, mas, felizmente, percebeu que estava errado e, no ano seguinte ao lançamento, ocorreu uma mudança na história da festa. “A gente aponta quatro carnavalescos que são ‘os caras do momento’. Leandro Vieira, que teve momentos esplêndidos à frente da Mangueira em 2019 e 2016; Gabriel Haddad e Leonardo Bora, dupla que começou na Grande Rio e fez Exú, mas agora está na Vila Isabel; e Tarcísio Zanon, que já tem dois títulos no Carnaval e conseguiu dar uma linguagem à Viradouro”.

    Além da obra sobre enredos, a dupla tem outros trabalhos juntos, mas revisitar um livro, anos depois e com olhar crítico, muda algumas percepções e detalhes precisam ser mudados para se adequar à evolução linguística do ser humano. “É um exercício muito interessante, porque o letramento sobre o que está acontecendo por aí é algo que a gente tem que ter na nossa cabeça constantemente. O que há 10 anos podia, hoje não pode. Índios e escravos apareciam demais em enredos, mas é necessário mudar, pois agora se fala indígenas e ex-escravizados”, explica.

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