Luiz Antonio Simas: ‘Toda diáspora tem poder de aniquilar’
Escritor é uma das atrações da Flip 2025
Luiz Antonio Simas foi uma das atrações principais da Casa Record, dentro da programação extraoficial da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), na tarde desta sexta-feira, 1. Autor de livros como Filosofias Africanas e Crônicas Exusíacas & Estilhaços Pelintras, o historiador reuniu centenas de pessoas para ouvi-lo falar sobre a diáspora africana e as marcas de reconstrução social no Brasil.
“O historiador lança as pedras no futuro sobre os pássaros que voavam e eventualmente acerta. Quando me perguntam o que o Brasil tem que fazer para construir o futuro, a minha resposta é exclusiva: para construir o futuro, o Brasil tem que escutar o passado. É o tempo da roda, é o tempo cíclico de Exu, que Nego Bispo dizia que é o tempo do início, do meio e do início novamente. Então, a gente tem que disputar o passado. Os pássaros que já voaram estão aí. Agora, nós temos as pedras de hoje para tentar acertar. Acho que é fundamental que a gente discute esse passado no sentido mesmo da roda de reconstrução que virá. E aí eu chego a um ponto que me interessa profundamente. Como é que diante desse projeto de horror que eu falei tanto, outros sentidos de vida foram sendo construídos e reconstruídos? Não tem outro jeito. Temos que pensar o que a gente entende por diáspora. Porque toda diáspora é um processo violento de translado de uma determinada comunidade, translado violento, de um lugar para o outro. Toda diáspora tem o poder de aniquilar, tem o poder de desconstruir sentido de identidade, tem o poder de sequestrar a história”, disse Simas.
* O colunista viajou a convite da Motiva.






