Hector Bolígrafo: quem detecta mentiras de famosos diante de Tatá Werneck
Jorge Maria conta à coluna GENTE sobre os bastidores do ‘Lady Night’: ‘Ela cria situações que me deixam perdido’
Um adulto chega a mentir, em média, de duas a três vezes a cada dez minutos. Quem garante é Jorge Maria, 63 anos, poligrafista com três décadas de experiência na detecção de fraudes em seguradoras e que atualmente coloca famosos à prova no Lady Night, do Multishow, onde tem como pseudônimo Hector Bolígrafo. Jorge iniciou sua trajetória em 1997, quando deixou o trabalho em um banco e mergulhou na investigação. Aos poucos, passou a atrair diferentes tipos de clientes – de homens desconfiados de traição a produções de TV. Já passou pelos programas de Márcia Goldschmidt e CQC, da Band, e já extintos; Programa Silvio Santos, do SBT; A Fazenda, da Record; e, desde o ano passado, integra o time da atração comandada por Tatá Werneck. À coluna GENTE, Jorge Maria explica como identifica a mentira das celebridades, conta alguns bastidores da Globo e revela quem gostaria de testar se diz a verdade.
No Lady Night, você tem o pseudônimo de Hector Bolígrafo. Por que esse apelido? Para ter mais humor, pois o Hector pode falar qualquer coisa. Já o Jorge complica, fica mais sério. Hector falar que você está mentindo é uma coisa, pode virar piada, não precisa ser verificada. Mas se Jorge falar, como investigador, cria uma situação constrangedora.
Qual é a precisão real do polígrafo? Eu diria que quase 100%. O que pode falhar sou eu. Mas claro que pode acontecer. De repente, você é uma psicopata doentia que acredita na mentira. Se você acreditar que é Napoleão Bonaparte, não terá aparelho no mundo que vai te detectar.
Como identifica uma mentira no programa? Uso um software para voz, pois é um elemento de detecção de mentira, já que começa a vibrar diferente quando a pessoa está nervosa. O corpo dá sinais. No Lady Night, a minha vantagem é que ele [convidado] está na frente da Tatá e, por isso, já alterado. Ou seja, no ponto em que eu preciso para calibrar a máquina com perguntas como “que cor é sua roupa” ou “qual seu nome completo”. A partir da verdade absoluta, vou saber qual é a frequência de voz e, toda vez que alterar, terei certeza de que ele está faltando com a verdade ou de que não entendeu a pergunta.
Alguém já ficou com raiva de você? Não, mas uma entrevista que destacaria é a de Ivete Sangalo, quando foi questionada se tinha usado playback. Ela disse que não usou, mas ali [teste] bateu. Com o estresse vocal, percebi que [ela] alterou mesmo. Ela não aceitou porque é muito competitiva (risos).
Como é trabalhar com Tatá Werneck? Tatá precisa ser analisada. É uma pessoa de uma capacidade anormal. Eu já gostava dela, mas agora sou apaixonado. Uma pequenininha de menos de um metro e cinquenta, mas que é um avião. Ela cria situações que te deixam completamente perdido. O Cauã [Reymond], por exemplo, chegou a comentar que não sabia mais do que falar, que estava desesperado.
Você e a Tatá conversam antes do programa sobre o convidado? Nada. Eu não sei nem a pergunta. Sei do artista que vai no dia, pois o vejo no corredor. O que peço é que a máquina fique ligada para eu poder analisar toda a conversa.
E com a família? Já teve vontade de usar a máquina? A minha mulher e dois dos meus quatro filhos trabalham comigo. Então, não tem como desconfiar, porque se acontecer qualquer coisa um já sabe onde vai amarrar o outro (risos).
Com a fama, as pessoas ficaram com receio de conversar com você? Sim, se justificam o tempo todo, algumas tremem quando estão perto de mim, mas outras também ficam encantadas. Mistura um pouco da ideia de que sou artista.
Tem alguém que você gostaria muito de fazer o teste? Quando era mais novo, tinha o sonho de fazer o teste no Paulo Maluf. Eu era fascinado, porque ele era muito sagaz. Ele sempre respondia uma pergunta com outra. A gente até conseguiu fazer uma vez, na época do CQC, mas à distância. Eu conseguia monitorar o que ele estava falando, porque o repórter estava com um ponto.
Existe mentira perfeita? Existe, mas a mentira vai da forma como a gente a aceita. Muitas vezes o ser humano só acredita no que lhe interessa, pois a verdade dói. Onde existe o ser humano, existe a possibilidade de fraude e, desta forma, a necessidade do meu trabalho.





