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Guilherme Arantes: ‘Seria bom me tornar um clássico revalorizado’

Cantor fará apresentação em comemoração a cinco décadas de carreira

Por Giovanna Fraguito 14 mar 2026, 12h00 •
  • Aos 72 anos, Guilherme Arantes é considerado um dos grandes hitmakers da música brasileira. Além de ter emplacado vários sucessos como Meu Mundo e Nada Mais, Cheia de Charme e Um Dia, Um Adeus, teve canções gravadas por Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Elis Regina, Belchior, entre vários outros. Ele comemora cinco décadas dedicadas à música neste sábado, 14, com 50 Anos-Luz, que passeia por seus clássicos. O paulistano falou com a coluna GENTE sobre como vê o mercado hoje e sua relação com as novas gerações

    Depois de meio século de carreira, o que mais mudou na música brasileira desde o início da sua carreira? O enfoque da música como produto. Porque quando a gente era menino, o grande fator era o disco. Você fabricava o vinil e tinha toda uma cultura de fonograma, gravadoras, orquestras e arranjadores. Com o passar do tempo, isso inverteu. A partir da década de 1980, especialmente nos anos 1990 e início de 2000, a indústria do show passou a substituir a fonográfica. Hoje predomina o show e isso trouxe consequências. O surgimento de gêneros que funcionassem mais ao nível do show, pagode, sertanejo, axé ou funk são todos voltados para performances ao vivo e comportamento de massa.

    Em algum momento você teve a sensação de que foi “esquecido”, mesmo tendo tantos clássicos? Me adaptei muito bem, quer dizer, estamos saindo com uma turnê de 50 anos, uma turnê bastante ambiciosa, com uma produção com telões, um belo visual, qualidade de som, de luz. Agora, o repertório vem desde a era fonográfica. Pega aquela era de ouro da criação, dos discos e tudo e traz um repertório robusto, que muitas vezes o showbusiness não tem para apresentar. Mas, claro, essa mudança faz com que toda a nossa turma, da geração dos anos 1970, 1980, tivesse sofrido uma pausa. E, às vezes, é uma estratégia não ficar o tempo todo querendo aparecer.

    Muitos nomes dessa geração de 1970 e 1980 voltaram a se apresentar para um público mais jovem em festivais de música. Você tem vontade de participar desse movimento? Muito. É um novo comportamento, uma nova maneira de vender música. Mas acho que o meu tempo chegará e a gente sabe esperar também. Sou um bom clássico. Como o Nile Rodgers, que está sendo bem recebido pelas novas gerações. Seria bacana se pudesse me tornar aquele clássico que é revalorizado, revitalizado. E assim comunicar com a nova geração, dessa maneira colaborativa.

    Ao longo da carreira, você nunca teve medo de dar opiniões contundentes. Já pagou algum preço por falar o que pensa? Já fui também bastante imprudente e despreparado por não compreender bem com quem estou falando e sobre o que estou falando. Era muito voluntarioso e abria o verbo, mas hoje a minha especialidade não é falar não.

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    Estamos em ano de eleição e muitos artistas se posicionam politicamente. O que você acha disso? As pessoas que tem vontade de se posicionarem devem se manifestar. No meu caso, tenho outros assuntos para falar. Assuntos, por exemplo, sobre o universo, a natureza vibratória, o papel do afeto na física quântica. Sou um cara muito estranho assim.

    No Rock in Rio, em setembro, Guilherme Arantes estará como convidado da banda Roupa Nova. Ele se apresentará no dia 7, que terá Elton John como atração principal. “É uma honra tão grande, nós temos tanto a ver. Eles gravaram várias músicas, discos meus e tudo, e a gente tem uma amizade de 50 anos”.

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