Ex-assistente de Anna Wintour é acusada de explorar estagiários
Escritora inspirou personagem de 'O Diabo Veste Prada'
Uma polêmica recente reacendeu um velho debate sobre exploração no mercado de moda e mídia, tema retratado em O Diabo Veste Prada, que ganhará sequência no fim de abril. Ex-assistente de Anna Wintour e apontada como inspiração para a personagem Emily (Emily Blunt) do longa, Plum Sykes, 56 anos, foi alvo de críticas por empregar estudantes sem remuneração em seu blog pessoal.
De acordo com o The Guardian, Sykes conta com estagiários na gestão de redes sociais, produção de conteúdo, análise de dados e na elaboração de newsletter com milhares de assinantes — parte deles pagantes, que desembolsam 65 libras esterlinas (aproximadamente 440 reais) para ler suas reflexões. Apesar disso, os colaboradores não recebem pagamento pelo serviço.
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A situação levantou questionamentos legais e éticos. No Reino Unido, estágios não remunerados só são permitidos em condições específicas, como atividades essencialmente observacionais ou vinculadas ao estudo. Neste caso, críticos argumentam que os estudantes desempenham funções produtivas, o que poderia caracterizar trabalho. “Não há lugar em 2026 para não pagar colaboradores, independentemente da função”, afirmou Pandora Sykes, ex-editora de revistas, que não tem parentesco com Plum.
Plum Sykes, que é representada no longa como vítima de assédio moral na cultura tóxica da revista de moda, defende o modelo adotado, alegando que oferece aprendizado, contatos e créditos acadêmicos. “Existe uma grande diferença legal entre experiência profissional e um estágio formal e remunerado, o que não é o caso aqui. É algo muito informal. Eles às vezes realizam tarefas pontuais para mim, sem horário fixo, e todas as tarefas que realizam são totalmente voluntárias”, afirmou a editora, que admite não remunerar os colaboradores, mas diz “esperar que isso possa mudar”.





