Especialistas explicam o que é crise de acatisia, vivida por Monica Iozzi
Neurologista e psiquiatra falam com a coluna GENTE
Após passar uma semana internada em São Paulo, a atriz Monica Iozzi recebeu alta na manhã desta terça-feira, 3. Nas redes sociais, ela explicou que a internação, que começou no Hospital Albert Einstein e terminou no Oswaldo Cruz, foi motivada por uma reação medicamentosa severa conhecida como acatisia. Carolina Alvarez de Azevedo, médica neurologista, que atua na Rede Hospital Casa, do Rio de Janeiro, e Thaíssa Pandolfi, psiquiatra especializada em neurodivergência e superdotação feminina, explicam a condição neurológica a pedido da coluna GENTE.
“A acatisia é uma condição neurológica caracterizada por uma inquietação intensa e persistente, acompanhada de uma necessidade quase irresistível de se movimentar. Não se trata apenas de agitação ou nervosismo comum — é uma sensação profunda e extremamente desconfortável que parte de dentro do próprio corpo. Quem vivencia costuma relatar algo difícil de explicar, como se houvesse uma tensão interna que obriga a pessoa a se mexer o tempo todo. A causa mais comum está relacionada ao uso de medicamentos que atuam no cérebro, especialmente aqueles que interferem na dopamina. Entre os medicamentos mais frequentemente associados estão os antipsicóticos, utilizados no tratamento de alguns transtornos psiquiátricos. Além deles, medicamentos para náuseas e certos antidepressivos. Em geral, a acatisia costuma surgir logo após o início do medicamento ou após um aumento da dose. Ela pode provocar um sofrimento físico e emocional significativo, especialmente quando não é reconhecida precocemente. Entre os principais impactos estão o sofrimento psicológico intenso, a dificuldade para dormir e descansar, e a possibilidade de confusão diagnóstica, pois os sintomas podem ser interpretados como ansiedade, agitação ou até piora do quadro psiquiátrico de base. Em situações mais graves, o nível de sofrimento pode ser tão intenso que aumenta o risco de pensamentos autodestrutivos. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental”, apresenta a médica neurologista Carolina.
Já sobre a confusão diagnóstica, a psiquiatra Thaíssa completa: “Casos que ganham visibilidade pública, como o da atriz Monica Iozzi, ajudam a trazer atenção para um fenômeno que muitos pacientes enfrentam silenciosamente. Um dos grandes desafios é que a acatisia pode ser confundida com ansiedade ou agravamento do transtorno psiquiátrico original, o que, em alguns casos, leva a ajustes inadequados na medicação. Nas mulheres, especialmente aquelas com maior sensibilidade emocional ou neurodivergência, esse quadro pode ser ainda mais difícil de reconhecer, porque a inquietação interna pode ser interpretada como desregulação emocional ou crise de ansiedade”.





