Ditadura e críticas a Trump: Wagner Moura na capa da Variety
Ator falou criticou o presidente americano e o comparou com Jair Bolsonaro
Wagner Moura foi capa da revista Variety e falou sobre ditadura militar brasileira e fez duras críticas a Donald Trump, comparando-o com Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. Na entrevista, o ator afirmou que, ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não estão atuando para conter o crescente autoritarismo. “Quando eu estava fazendo Guerra Civil, pensava constantemente em como o Brasil reagiu de forma diferente à nossa insurreição — de uma forma melhor do que vocês, porque o Brasil foi rápido em fazer a coisa certa e mandar a mensagem de que não se mexe com a democracia. Nós prendemos pessoas. Bolsonaro está preso”, disse, comparando os atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília e os de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio, em Washington.
Para ele, os EUA estão “testando os limites”, sem responsabilizar os culpados, algo visto com a morte de Renee Good por agentes de imigração do ICE. “O assassinato de Renee Good em Minneapolis foi um daqueles momentos de “Que m* é essa?” que deveriam despertar as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, vi reações do tipo ‘Uma pessoa branca foi morta, então agora temos que fazer alguma coisa’, como se fosse aceitável que imigrantes sejam mortos”, continuou.
Indicado ao prêmio de Melhor Ator por O Agente Secreto, Wagner afirmou que o Brasil tem camadas pouco comentadas no exterior. “A imagem alegre é precisa: o calor humano, a cultura, a música, a comida — a melhor comida de todas. Mas o Brasil também foi o último país a abolir a escravidão. A desigualdade é enorme. O poder é concentrado. O Brasil é complexo”, reiterou. Segundo ele, a situação política atual do país é reflexo de toda uma população – e o mesmo serve para os EUA. “O Brasil não é para iniciantes. Bolsonaro não surgiu do nada — ele reflete o país, assim como Trump reflete os Estados Unidos”, completou.





