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Crise das novelas: o futuro sombrio da teledramaturgia

Especialista Mauro Alencar analisa cenário crítico na televisão aberta, exposto em produções de 2025

Por Nara Boechat Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 dez 2025, 11h00 •
  • Há anos a televisão aberta enfrenta o desafio de manter sua relevância diante do crescimento do streaming e das mudanças no comportamento dos consumidores, cada vez mais hiperconectados. Em 2025, esse processo atingiu um ponto crítico com a batalha diária por audiência nas novelas do horário nobre da TV Globo. Antes intocável como símbolo da cultura nacional – ditando hábitos, conversas e até comportamentos -, o folhetim clássico vive um momento de instabilidade, que revela o descompasso entre o que as emissoras entregam e o que o público busca.

    À coluna GENTE, o consultor, pesquisador e doutor em Teledramaturgia pela USP, Mauro Alencar, explica que o cenário atual é resultado tanto de pressões externas quanto de escolhas internas. “Há fatores estruturais e estéticos. As emissoras vêm encontrando dificuldade para se sintonizar com essa nova realidade, para dialogar com ela – e, por vezes, até para aceitá-la. O consumo de teledramaturgia mudou, mas parte da indústria e da mídia ainda trata a telenovela como se estivéssemos no século passado”.

    Para Alencar, uma telenovela, que ele chama de “arte do cotidiano”, não pode se descolar das questões sociais e econômicas que atravessam o país. “O cenário é complexo. As gerações mais jovens não têm o hábito de acompanhar as novelas tal como acontecia décadas atrás; a parcela 60+ da audiência permanece, de certo modo, fiel à televisão, mas não se vê representada nas tramas. É necessário reconquistar o público jovem e, ao mesmo tempo, representar mais as possibilidades de vida do público maduro”, observa.

    Apesar da crise, o especialista não considera o quadro irreversível. “A telenovela continua sendo um dos alicerces das maiores empresas de comunicação do mundo e um dos produtos artísticos mais relevantes do entretenimento. Um exemplo recente é Vale Tudo: quando a trama exibiu Lucimar (Ingrid Gaigher) regularizando a guarda do filho pelo aplicativo da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, os acessos ao app cresceram 300%, chegando a 4.560 por minuto. Isso mostra como a novela ainda mobiliza comportamentos concretos do público”, pontua.

    Alencar ressalta ainda que a necessidade de realinhamento com a indústria cultural do século XXI não é exclusividade da Globo: “Há que se louvar o empenho da emissora em seguir produzindo telenovelas de maneira sistemática. Fico espantado com a inércia do SBT e da Band, por exemplo. E com a Record, que parou nas produções bíblicas. Em tantas décadas participando ativamente da feitura da telenovela, nunca vi um período tão desértico como o atual”. Para ele, a saída passa por um reposicionamento coletivo. “É preciso realinhar o conceito de produção com os anseios do consumidor e com o mercado da indústria cultural e de entretenimento”, conclui.

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