Como sucesso de ‘O Agente Secreto’ esconde fracasso do cinema nacional
Pouco mais de cem filmes brasileiros lançados em 2025 fizeram menos de mil espectadores nos cinemas, número pífio para o mercado brasileiro
O sucesso recente de dois filmes brasileiros chegando a indicações do Oscar, Ainda estou aqui, no ano passado, e O Agente Secreto, neste ano, mostra que o cinema nacional atravessa uma boa fase lá fora. Mas será que isso de fato de reflete na realidade de público aqui dentro? A BBC, a partir de dados obtidos em relatórios da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Filme B, revista eletrônica que monitora o setor, deu destaque ao impressionante fato de que 111 filmes brasileiros lançados em 2025 fizeram menos de mil espectadores nos cinemas. Um marco irrisório, convenhamos.
Além disso, vale frisar, estes filmes também não chegarão na TV paga e no streaming. Ou seja, mil espectadores é o máximo de alcance de todas essas obras. O fato de que mais da metade dos filmes produzidos no Brasil não ultrapassa a barreira dos mil ingressos é alarmante para um país que, aparentemente, está surfando na boa onda das premiações internacionais.
Em 2025, apenas dois filmes brasileiros (Ainda estou aqui e Auto da compadecida 2) venderam 49,8% dos ingressos de produções nacionais. Todos os demais 203, somados, ficaram com 50,2% dos ingressos. O fomento do setor nos últimos anos provocou uma enxurrada de produção recorde de filmes agora disponíveis no mercado, mas que quase ninguém consome. Enquanto não houver uma política pública de fomento na distribuição e exibição do audiovisual nacional, muito além da produção, esse número será cada vez mais gritante. A prateleira abarrotada de produtos à espera de escassos compradores, que cada vez mais preferem consumi-los em domicílio (na comodidade de seus streamings).





