A ascensão de Chuck Norris — que morreu na manhã desta sexta-feira, 20, aos 86 anos — como uma lenda das redes sociais é um dos casos mais curiosos do mundo digital. Tudo começou em meados dos anos 2000, quando Vin Diesel ainda era alvo frequente de piadas. Na época, um site permitia que os usuários sugerissem nomes para protagonizar “fatos” absurdos sobre a masculinidade exagerada. Com a queda da popularidade de Diesel, Norris foi eleito com ampla vantagem em uma votação para ser o novo herói, mesmo sem figurar entre as 12 opções listadas. Foi neste momento que nasceu o fenômeno dos “Fatos sobre Chuck Norris”, site que reuniu quase 12 mil frases satíricas transformando o artista marcial e ator em uma personalidade sobre-humana, invencível e símbolo de força e virilidade.
Naquela época, ainda na era do Orkut e nos primórdios do Facebook, as redes sociais facilitavam a criação do formato, que se espalhou globalmente em velocidade impressionante. Muitos desses memes resistem até hoje, com frases como “Chuck Norris faz gol olímpico no pebolim”, “Chuck Norris consegue matar duas cajadadas com um coelho só” ou “Chuck Norris pode espirrar de olhos abertos”. O próprio Chuck Norris entrou na brincadeira. Lisonjeado, chegou a revelar seu “fato” favorito: “Tentaram esculpir o rosto de Chuck Norris no Monte Rushmore, mas o granito não era duro o suficiente para sua barba”.
O tom bem-humorado durou até 2007, quando o ator processou a editora Penguin, que havia lançado The Truth About Chuck Norris: 400 Facts About the World’s Greatest Human (A Verdade Sobre Chuck Norris: 400 Fatos Sobre o Humano Mais Fantástico do Mundo). Na ação, Norris alegou que parte do conteúdo era racista e o mostrava como alguém envolvido em atividades ilegais. No ano seguinte, desistiu do processo.





