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Carnavalesco da Acadêmicos de Niterói fala de críticas ao desfile de Lula

Tiago Martins conversou com a coluna GENTE sobre polêmico enredo

Por Giovanna Fraguito 13 fev 2026, 09h00 •
  • A apresentação da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí irá abordar desde a infância do pequeno Luiz Inácio (representado em escultura) em Garanhuns (PE), onde havia um pé de mulungu, passando pela viagem de pau de arara até chegar a São Paulo — período lembrado no samba pelas “13 noites e os 13 dias” de viagem junto à mãe, dona Lindu. Os tempos de metalúrgico, o Partido dos Trabalhadores (PT) e até programas sociais atribuídos aos governos de Lula não ficarão de fora da narrativa. Quem escreveu essa história foi o carnavalesco Tiago Martins, em seu terceiro ano assinando o desfile da agremiação, estreante na elite da Marquês de Sapucaí. Ele falou com a coluna GENTE sobre curiosidades do desfile e como a política estará presente. 

    Como surgiu a ideia de homenagear Lula? A gente tinha outros enredos, algo com um patrocínio, mas não rolou. O presidente (Wallace Palhares) veio com a ideia, no meio de tantas homenagens, falar de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República. A gente precisava bater o martelo e uma palavra dele, aceitando esse enredo, para a gente ter o nome dele no título, trazer mais coisas dentro do nosso desfile, contadas por ele, familiares, pessoas que o seguiram, biógrafo e outros. Por meio de um contato com a assessoria, conseguimos. 

    Como será a construção dos setores no desfile? Sou de uma família criada em roça, bem interior. Quando comecei a ler essa história da infância, da questão da fome, mexeu muito comigo. Então por que não trazer esse mundo fantástico da criança? O pé de mulungu, que ele tinha no quintal de casa, era o meio de brincadeira dos irmãos e primos. Toda vez que ele subia nesse pé de mulungu, se sentia um rei. Por isso, o título do enredo é Do Alto do Mulungu Surge a Esperança Lulo Operário do Brasil. Depois a gente faz a passagem dele saindo de Garanhuns, indo para São Paulo, de engraxate, operário. O quarto setor a gente vai trazer os benefícios, os projetos e outras coisas que aconteceram nesse período até chegar no último setor que é algo atual.

    A política vai entrar na Avenida? As pessoas sempre perguntam: ‘Por que vai falar de política?’ O nosso homenageado é político, então, naturalmente, vai ter essa passagem. A gente conta desde lá de trás até os dias atuais. O nosso último setor vai se reformulando todos os dias. A gente encerra o nosso desfile com o Brasil soberano, o Lula do povo para o povo. Termina nas cores verde, amarelo, azul e branco para mostrar que essa bandeira não é de um partido, e sim do povo, essa bandeira é do Brasil. 

    E como foi o encontro com o Lula para apresentar o enredo? Ele palpitou? A primeira vez foi quando a gente foi cantar o samba, ele conheceu em primeira mão. Ele já chegou brincando. Mas minha boca secou, fiquei nervoso. Ele veio, me abraçou e beijou. A gente entregou uma camisa, ele abriu, tirou o blazer, colocou na mesma hora e sentou. Todo mundo estava com um cafezinho e ele falou que para cantar uma roda de samba… Ele pediu um chopp para todo mundo e petisco. Enquanto cantavam o samba, ele olhava página por página e no final ele começou a chorar.  

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    Não existe o receio de parecer campanha política? O enredo é uma homenagem, como todos os outros. Não é algo político, não é campanha. A gente tem todo o cuidado com o slogan, com o nome que foi feito em algum tipo de campanha. A gente conta realmente a trajetória desse homem. É um dos maiores políticos do Brasil. 

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