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A tortuosa relação de políticos em homenagem nas escolas de samba

O historiador Lipe Vieira explica, a pedido da coluna GENTE, alguns casos emblemáticos

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 fev 2026, 08h00 •
  • As escolas de samba, como produtos do seu tempo, pulsam no compasso dos acontecimentos que sacodem a história nacional. Não é de hoje que figuras políticas de marcada relevância aparecem nos enredos levados para a avenida.

    Em 1956, no início do governo JK, a Mangueira trouxe o enredo Exaltação a Getúlio Vargas: emancipação nacional do Brasil. O título é autoexplicatico. Naquele momento, JK representava a continuidade de um projeto nacional-desenvolvimentista, iniciado por Getúlio Vargas. Em 2000, nos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, as escolas de samba promoveram um carnaval temático sobre os principais acontecimentos históricos que marcaram a Colônia, o Império e a República. Na ocasião, a Portela veio com Trabalhadores do Brasil: a época de Getúlio Vargas.

    A figura de Juscelino Kubitschek também já foi destaque na avenida. Novamente a Mangueira aparece com outro presidente homenageado. Em 1981, a escola desenvolveu o enredo De Nonô a JK. Em 2002, uma escola menos conhecida do grande público, mas de grande bravura, a Leão de Nova Iguaçu, colocou na avenida dos desfiles o enredo Do esplendor diamantino aos sonhos dourados de Juscelino.

    As personas dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro também já passaram pela Sapucaí. Senão em forma de homenagem como Vargas e JK, mas em caráter de deboche e crítica política. Em 2018, com o enredo-pergunta Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?, conhecemos o “vampirão do Tuiuti”, assim popularmente batizado. Temer veio representado como destaque na última alegoria denominada “Navio neotumbeiro”. Na representação, o então presidente em exercício Michel Temer (cumprindo um mandato tampão) apareceu com a faixa presidencial recheada de dólares.

    O presidente eleito na sequência, Bolsonaro, também não escapou ao aguçado radar político das escolas de samba. Em 2020, a Acadêmicos de Vigário Geral, escola da Série Ouro (grupo de acesso) levou para avenida um tripé de um palhaço gigante. O enredo O conto do vigário contava as mentiras e trapaças na história do Brasil. A agremiação encerrou sua apresentação com o palhaço usando a faixa presidencial e fazendo gesto simulando usar uma arma.

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    O presidente em exercício, Lula, também já passou pela Sapucaí, representado por uma escultura de 9,5 metros de altura na última alegoria da Beija Flor de Nilópolis. O ano era o de 2003, momento em que o vivíamos um clima de esperança popular e desconfiança do mercado financeiro em relação ao governo do presidente recém-eleito. Com o enredo O povo conta sua história, saco vazio não para em pé (a mão que faz a guerra faz a paz, a Beija-Flor exaltou o combate a fome e à desigualdade social em clara referência ao programa Fome Zero.

    Agora, em 2026, a Acadêmicos de Niterói, uma escola estreante no Grupo Especial, traz o enredo Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do povo. Tentando se firmar entre as escolas especiais, Niterói arrisca com o enredo, uma clara homenagem a Lula, em pleno ano eleitoral. Sabendo das dificuldades que é para uma agremiação recém-chegada no grupo permanecer na elite do carnaval, a aposta é grande. Esse fato é inédito na história das escolas de samba. Pela primeira vez, um presidente em exercício é homenageado em ano de eleições em que esse mesmo presidente busca se reeleger. É certo que a figura de Lula e outros líderes políticos já passaram pela avenida, como visto anteriormente, seja como exaltação, seja como deboche. Mas agora as circunstâncias são outras. E a escola de Niterói está disposta a arriscar e fazer render a história em forma de saga do filho da dona Lindu. (Por Lipe Vieira)

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