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A brasileira indicada ao Emmy que une cinema e moda sustentável

Luciana Brafman é Fundadora da Time To Act e criadora do doc 'Seu Estilo, Seu Impacto'

Por Giovanna Fraguito 15 mar 2026, 09h00 •
  • Luciana Brafman, carioca radicada em Los Angeles, é produtora, diretora e ativista climática com mais de 20 anos de experiência em projetos premiados, incluindo duas indicações ao Emmy por seu trabalho em Survivor, The Apprentice e The Big Give, de Oprah Winfrey. Fundadora da Time To Act, transforma cinema e arte em ferramentas de impacto socioambiental, liderando documentários, exposições e instalações dedicadas à sustentabilidade e à justiça socioambiental. No próximo dia 31, seu mini doc, Seu Estilo, Seu Impacto, com Ricardo Carioba, que aborda os desafios da indústria da moda sustentável, estreia no Canal Fashion TV. A produção conta com depoimentos de Alexandre Herchcovitch, Jum Nakao, Osmar Metsavaht, Taciana Abreu (Riachuelo), entre outros. Para a coluna GENTE, ela falou sobre o projeto e como moda e sustentabilidade podem andar juntas.

    O que você quis causar com Seu Estilo, Seu Impacto ao discutir sustentabilidade dentro da moda? Quis provocar uma tomada de consciência e uma mudança de comportamento. Precisamos reconhecer que cada escolha de consumo tem impactos ambientais e sociais reais. A moda sempre foi uma forma de expressão pessoal e sempre falou sobre identidade, mas hoje ela também precisa falar sobre responsabilidade. O que vestimos expressa quem somos, nossos valores, no que acreditamos e o tipo de mundo que queremos construir.

    Depois de ouvir estilistas e executivos da indústria, você saiu mais otimista ou preocupada com o futuro da moda? Otimista, mas com senso de urgência. Hoje existem muitas soluções sendo desenvolvidas: novos materiais, inovação em design, rastreabilidade, reciclagem e modelos de economia circular. Mas, para que essa transformação aconteça em escala, é preciso investimento real. Estamos falando de uma mudança estrutural: sair de uma economia linear baseada em extrair, produzir e descartar para uma circular, que prolonga a vida dos produtos e reintegra materiais ao sistema. Mais do que falar apenas em sustentabilidade, hoje começamos a discutir também o conceito de moda regenerativa. Ou seja, não apenas reduzir impactos, mas criar sistemas produtivos que regenerem ecossistemas, valorizem comunidades e restaurem recursos naturais. Isso envolve desde matérias-primas cultivadas de forma regenerativa até cadeias produtivas mais transparentes e responsáveis.

    Sustentabilidade virou solução real ou ainda funciona mais como marketing? Há uma transformação real acontecendo. Hoje o consumidor está mais informado e atento, e isso faz com que práticas de greenwashing sejam cada vez mais identificadas e questionadas. A diferença está na transparência. Quando uma marca realmente muda sua cadeia produtiva, investe em inovação e assume responsabilidade pelo impacto que gera, isso vai além do discurso.

    Morando em Los Angeles, você observa diferenças entre como o Brasil e os EUA lidam com a pauta da moda sustentável? Sim, existem diferenças importantes. Nos Estados Unidos há um forte investimento em inovação, tecnologia e desenvolvimento de novos materiais. Marcas como a Patagonia foram pioneiras ao colocar a sustentabilidade no centro do modelo de negócios, mostrando que é possível construir uma empresa global com propósito ambiental e social. O Brasil traz outra força para esse debate: biodiversidade, criatividade e uma identidade cultural muito potente no design. Um exemplo é a Osklen, fundada por Oskar Metsavaht, uma das primeiras marcas do mundo a introduzir o conceito de sustainable luxury, um luxo que integra estética, inovação e responsabilidade socioambiental, redefinindo o próprio conceito de luxo: não mais excesso, mas consciência. O potencial brasileiro é enorme. O desafio agora é transformar essa riqueza criativa e ambiental em escala, investimento e competitividade global.

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