75 anos das novelas no Brasil: o futuro de um produto nacional em crise
Em dezembro será comemorado o marco da estreia de ‘Sua vida me pertence’, de 1951, na TV Tupi
Em 2026 se comemora os 75 anos da exibição de Sua vida me pertence, que estreou em 1951 na TV Tupi e marca a primeira novela transmitida no país. Este tipo de produção se consolidou no Brasil ao combinar narrativa contínua, horários fixos e temas próximos do cotidiano do público, tornando-se parte da rotina diária das famílias. Desde a primeira produção, as novelas evoluíram com inovações tecnológicas, como a TV a cores, e abordagens culturais e sociais que refletiam a realidade brasileira, criando identificação e engajamento. A fidelização dos espectadores, o impacto na moda, linguagem e comportamento, e a exportação internacional das produções reforçaram seu papel como fenômeno cultural e meio dominante de entretenimento no país. A seguir, a coluna GENTE traz um apanhado, década a década, de como ocorreu essa evolução:
1956 – O começo
- Sua Vida Me Pertence é considerada a primeira telenovela brasileira, exibida pela TV Tupi em 21 de dezembro de 1956.
- Era uma produção curta, com episódios ao vivo, e já mostrava a narrativa em série que se tornaria marca das novelas.
1960–1970 – Consolidação
- As novelas começaram a migrar para o formato gravado, com enredos mais longos.
- TV Excelsior e TV Record surgem como concorrentes da TV Tupi.
- Em 1963, 2-5499 Ocupado da TV Excelsior se tornou a primeira novela moderna com ritmo diário.
- A Globo estreia em 1965, abrindo caminho para se tornar a principal emissora de telenovelas.
1970–1980 – Era de Ouro
- Novelas da Globo ganham popularidade nacional.
- Produções como O Bem-Amado (1973) e Gabriela (1975) trazem roteiros mais sofisticados e regionalistas.
- A Globo cria a faixa das 20h, consolidando a novela como fenômeno cultural e social.
1980–1990 – Expansão e inovação
- Novelas com temas sociais e políticos entram em pauta, como Roque Santeiro (1985) e Vale Tudo (1988).
- A tecnologia da TV a cores e a expansão nacional da Globo fortalecem o impacto das novelas.
1990–2000 – Diversificação
- Novelas globais começam a explorar diferentes gêneros: ação, suspense, humor e teen.
- Tropicaliente, Malhação e O Clone se destacam, expandindo o público jovem.
2000–2010 – Internacionalização
- Novelas brasileiras passam a ser exportadas para mais de 100 países.
- Produções como Senhora do Destino, Avenida Brasil e Caminho das Índias se tornam fenômenos internacionais.
2010–2020 – Novas plataformas
- Streaming e plataformas digitais mudam o consumo: GloboPlay permite acompanhar novelas online.
- Novelas começam a dialogar com temas contemporâneos: diversidade, inclusão e críticas sociais.
2020–2026 – A concorrência em outras telas
- O remake de Vale Tudo, 2025, não surte o mesmo efeito que o original, de 1988. Os índices de audiência vêm caindo ano após ano.
- Novelas atuais continuam misturando tradição e inovação, mostrando o legado de sete décadas de cultura televisiva. Atores veteranos passam a dividir espaço com nomes oriundos das redes sociais.
- Mas a concorrência da TV Globo, ainda hegemônica, não é mais a grade televisiva de outras emissoras-padrão, como SBT ou Record. Netflix, HBO Max e até o Youtube se expandem possibilidades de escoamento de produção audiovisual no país.
- A TV aberta segue firme na dianteira, tendo o streaming como principal concorrente, ao apresentar produções seriadas que catalisam o público e engajam as redes (o novo termômetro da audiência).
- A Globo lança seu produto mais arrojado em formato dos últimos tempos: novelinhas verticais, de cerca de um minuto, destinadas ao público de redes sociais. É um experimento para se ficar de olho nos próximos meses.





