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. Thomas Traumann Jornalista e consultor de comunicação, é autor de "O Pior Emprego do Mundo", sobre o trabalho dos ministros da Fazenda. Escreve sobre política e economia

O risco Petrobras de Lula

Promessa petista de baixar os preços dos combustíveis é mais complicada do que construir refinarias

Por Thomas Traumann Atualizado em 5 abr 2022, 11h30 - Publicado em 5 abr 2022, 11h25

A primeira promessa de campanha de Lula da Silva foi a de “abrasileirar” os preços dos combustíveis, um neologismo para dizer que se o PT voltar ao governo a Petrobras não vai mais repassar automaticamente as variações do mercado internacional. “O Brasil é autossuficiente em petróleo, e o custo do nosso petróleo é em real. Nos governos do PT, a gasolina, o gás e o diesel era em real. Lutar para abrasileirar o preço dos combustíveis é um compromisso do PT”, disse Lula no spot da propaganda partidária nas rádios e TV (íntegra aqui).

Em jantar com executivos do mercado financeiro, ontem (04/04), em São Paulo, a presidente do partido, Gleisi Hoffman, deu um passo adiante. Depois de argumentar que a maior parte do petróleo usado no Brasil é extraída no próprio país e que, portanto, teria seus custos em real, Hoffmann defendeu como solução para abaixar os preços na bomba seria retomar a construção de refinarias, como revelou a repórter Andréia Sadi.

A questão é que construir refinarias demora anos e a expectativa gerada por Lula é de que os preços na bomba de combustível vão cair logo depois da posse de um governo petistas. Além disso, o Conselho de Administração e a diretoria executiva da Petrobras serão indicados pelo governo Bolsonaro na reunião do dia 13 de abril com mandato de um ano. Isso significa que mesmo que Lula vença, ele vai poder indicar a sua diretoria em abril de 2023 para só então iniciar um plano de revisão da política de preços. Criar expectativas e não entregar foi o que jogou no chão a popularidade de FHC em 1999 e Dilma Rousseff em 2015. Além do mais, a Petrobras foi o epicentro da Operação Lava Jato que tornou o PT um pária na política até a volta dos direitos políticos de Lula no ano passado.

O papel da Petrobras é um dos eixos do programa do PT a ser anunciado em abril ou maio. Em 2018, o então candidato Fernando Haddad defendia que toda a arrecadação da CIDE, uma das várias taxas sobre combustíveis, fosse das prefeituras, que usariam o dinheiro para subsidiar as tarifas de ônibus. No mês passado, o senador petista Jean Paul Prates foi o relator de dois projetos aprovados no Senado que criam um fundo com dinheiro público para amortecer as variações dos preços do petróleo no mercado internacional. Na prática, é um subsídio para todos os motoristas. A Câmara ainda não marcou a votação dos projetos.

Na semana passada, em entrevista ao repórter Breno Altman, do jornal digital Opera Mundi, o ex-presidente da Petrobras no governo Lula, José Sergio Gabrielli, reconheceu que “é quase impossível” voltar no curto prazo aos moldes anteriores da companhia nos tempos do PT. Além da construção de refinarias, Gabrielli defendeu a possibilidade de a Petrobras montar uma nova rede de distribuidoras, para concorrer com a BR que foi privatizada no governo Bolsonaro. “Sairia mais barato do que reverter as privatizações”, disse.

Nos governos Temer e Bolsonaro, a Petrobras colocou oito refinarias à venda e interrompeu a construção de novas, incluindo os projetos que reconhecidamente tiveram desvio de recursos como Abreu e Lima (Pernambuco) e Comperj (Rio).

Três plantas (as refinarias da Bahia e do Amazonas e a usina de xisto no Paraná) já foram vendidas à iniciativa privada.

“Lula fala em abrasileirar o preço, levando em conta a realidade da população. Temos um dos menores custos do mundo em extração, uma produtividade gigantesca, mas não somos autossuficientes em derivados, de modo que, se a economia voltar a crescer, aumentando o consumo, podemos acabar tendo escassez. Para evitar esse cenário, temos que voltar a ampliar nossa capacidade de refino”, disse Gabrielli.

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