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Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)
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O mano-a-mano na campanha de lama

Debates podem ser as últimas chances de Bolsonaro virar o jogo

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 17 out 2022, 10h08 - Publicado em 16 out 2022, 13h00

Passadas as primeiras duas semanas do segundo turno, o ex-presidente Lula da Silva chega ao primeiro debate na TV mais forte que o presidente Jair Bolsonaro. Os movimentos eleitorais do PT foram mais eficientes: o apoio de Simone Tebet e Fernando Henrique Cardoso, os comícios lotados em Salvador, Rio e Recife e a proposta de isentar o Imposto de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil. No campo de Bolsonaro, a baderna dos militantes na Basílica de Aparecida ainda não foi contabilizada, o importante apoio de Romeu Zema ainda não deu frutos e antecipação do pagamento da terceira parcela do Auxílio Brasil e do vale-gás não deu resultado.

Numa campanha no qual os programas de TV dos dois lados parecem um Cidade Alerta piorado, os debates podem ser as últimas chances de Bolsonaro virar o jogo. Mesmo as pesquisas internas da reeleição indicam que os dois candidatos seguem iguais desde o início do segundo, com uma vantagem de Lula entre 4 e 5 pontos percentuais. 

O debate de hoje será transmitido pelas TVs Band, Cultura e CNN e começa às 20h de domingo. No primeiro e no terceiro bloco, Lula e Bolsonaro usarão um banco de tempo pré-definido para se confrontarem. No segundo bloco, os candidatos responderão a perguntas de jornalistas das empresas do pool. 

Lula não foi bem nas vezes que enfrentou Bolsonaro no primeiro turno. No primeiro encontro na TV, em agosto, Lula cancelou a preparação com assessores para comemorar o aniversário da mulher, Janja, e acabou falhando quanto confrontado com o presidente. No segundo debate, em setembro, Lula perdeu a paciência com o clone de padre que se apresentava como candidato e talvez a chance de vencer no primeiro turno. 

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Não espere uma discussão de propostas. Ao longo das últimas semanas, Bolsonaro chamou o adversário de “pinguço e ladrão”, enquanto foi chamado de “genocida”. Na sexta-feira (14), a campanha de TV de Bolsonaro acusou Lula de “planejar incentivar a mulher a matar o próprio filho no ventre”, editando frases do ex-presidente sobre o tema. Ao final, Bolsonaro apareceu chorando ao falar da própria filha. O aborto é uma questão sensível no Brasil. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, 62% se dizem contra mudar a lei. Em maio, logo depois de Lula afirmar que aborto é uma questão de saúde pública, a metade dos eleitores disseram à Quaest que mudariam de voto se seus candidatos defendessem o procedimento.

O aborto já ajudou a decidir uma eleição, a de 1989, quando uma ex-namorada de Lula foi contratada pela campanha de Fernando Collor para ir à TV afirmar que o petista havia sugerido que ela fizesse um aborto. Em 2010, bispos da igreja católica divulgaram vídeo acusando a então candidata Dilma Rousseff de planejar liberar o aborto. O estrago impediu que Dilma vencesse a eleição no primeiro turno e impulsionou a votação de Marina Silva. No segundo turno, aconselhada por marqueteiros, a candidata apareceu na missa em Aparecida e se deixou fotografar com uma estátua da santa. 

No sábado (15), a propaganda de TV petista levou ao ar trechos de uma entrevista de Bolsonaro no qual ele dizia que havia “pintado um clima” com meninas venezuelanas de 14, insinuando que o presidente é pedófilo. Neste domingo de madrugada, Bolsonaro fez uma live acusado o PT de “extrapolado todos os limites”. Vinda do sujeito que foi eleito em 2018 inventando que o PT pretendia distribuir mamadeiras com formato de pênis para incentivar o homossexualismo a frase deve ser lido com ironia. O debate vai ocorrer numa campanha mergulhada na lama.

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