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Thomas Traumann

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Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)
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Mais obras e menos discurso

Como o brasileiro escolhe seu deputado

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 jun 2022, 16h27

Trecho da pesquisa Genial/Quaest joga luz sobre um dos mistérios das vontades do eleitor: qual o critério para escolher um candidato a deputado? Podendo escolher entre sete opções, os eleitores contaram que o deputado que traz obras para seu reduto tem mais chances de ser eleito do que se tiver boas propostas ou o apoio do prefeito ou do candidato a governador. A preferência por candidato realizadores lidera em todas as regiões e níveis de instrução, diz a pesquisa.

O resultado ajuda a entender o esforço do Congresso em defender o “orçamento secreto”, a manobra pela qual o Legislativo passou a determinar a execução de emendas do Orçamento de forma obrigatória. A sondagem sugere que com as obras pagas com as emendas do orçamento secreto, crescem as possibilidades de um deputado ou senador ser reeleito em outubro. Aos dados da pesquisa Genial/Quaest:

Como você escolhe seu candidato a deputado

– Se trouxe obras/ verbas para a região 29%
– Se gosta das propostas 20%
– Se ele é apoiado pelo prefeito da cidade 10%
– Se ele é da sua cidade/região 7%
– Se é apoiado pelo candidato a presidente/governador que você vai votar 6%
– Se você já votou nele 4%
– Se você recebe informações sobre ele 3%

Há diferenças regionais. No Centro Oeste, as obras respondem por 49% das motivações do voto, bem à frente dos 32% na região Norte. As propostas dos candidatos é o motivo de 28% das escolhas no Sul, empatado com obras. A pesquisa diz que o sulista é o eleitor mais localista, e 14% votam por um candidato que seja da sua cidade ou região.

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A preferência do deputado realizador cresce com o nível de instrução. 19% dos eleitores que estudaram até o ensino fundamental, 37% com ensino médio e 33% dos que concluíram o ensino superior cravaram obras como maior razão da escolha do candidato. O apoio do prefeito é o principal motivo do voto para 13% dos eleitores que cursaram até o ensino fundamental.

De todas as centenas de projetos aprovados pelos congressistas nos últimos anos nenhum mudou tanto a relação de poder em Brasília quanto a criação das emendas impositivas do “orçamento secreto”. Chamadas assim por terem baixa transparência e nenhuma proporcionalidade no formato de distribuição, as emendas do orçamento secreto são repartidas entre os congressistas por decisão direta dos presidentes da Câmara e do Senado, tirando do Executivo o poder de manejar as suas verbas. Se antes os prefeitos precisam pedir verbas aos ministros, agora basta ter um deputado ou senador apadrinhado dos presidentes da Câmara ou do Senado. Neste ano, os congressistas têm R$16,5 bilhões em emendas para distribuir, quase o valor total de todos os investimentos do Executivo.

Esse poder orçamentário do Legislativo é inédito no Brasil e desequilibrou a dinâmica como Executivo. Desde o fim do regime militar, os presidentes formam as suas bases congressuais a partir da troca de apoio com os partidos através da indicação de ministros e liberação de emendas, sistema que ficou conhecido como presidencialismo de coalização. Com as emendas secretas, deputados e senadores ganharam independência. Não precisam mais votar com o Executivo para terem acesso às emendas e, como indica a pesquisa Genial/Quaest, podem obter sua reeleição a partir das verbas distribuídas a partir de acordos dentro do próprio Congresso.

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