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Thomas Traumann

Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)
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A volta do fantasma Bolsonaro

Ao trabalhar pela anistia a Bolsonaro, Arthur Lira ajuda o governo a reabrir pontes com eleitores insatisfeitos e bagunça a sucessão na Câmara

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jun 2024, 16h07

A decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira, de desenterrar as propostas que anistiam os golpistas de 8 de janeiro e anulam delações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro são as melhores notícias que o Congresso deu ao presidente Lula em meses. Ao assumir que a agenda bolsonarista, Lira permite ao governo recuperar pontes com setores insatisfeitos com Lula, mas que odeiam Bolsonaro ainda mais. Lira está trazendo a polarização para a sua sucessão na Câmara. 

Vista pelo ponto de vista das redes sociais e das mesas de jantar com uísque de Brasília, a iniciativa de Lira de ressuscitar Bolsonaro parece uma prova de força. Ele traz para si o apoio incondicional dos 100 deputados ultrabolsonaristas e empurra o governo para ter de gastar saliva e dinheiro para defender o sistema legal. 

Uma avaliação sóbria, contudo, mostra que Lira está transformando sua vida num pântano. Se avançar com a anistia a Bolsonaro. Lira vai obrigar o governo a se juntar a um candidato de oposição a ele na sucessão da Câmara, como o deputado Antonio Brito, do PSD da Bahia. Hoje, Lira tem a chance de decidir quem quiser como candidato. Só que o seu candidato for forjado na anistia de Bolsonaro, Brito passaria a ser um candidato competitivo num arco de aliança esquerda e os partidos que não fazem parte do Centrão.

Além disso, se a proposta realmente for para frente, ele irá reabrir todas feridas com o Supremo Tribunal Federal, incluindo possivelmente algumas investigações que ele gostaria de ver engavetadas. A chance de o STF permitir que os golpistas de 8 de janeiro e o mentor da tentativa de golpe circulem livremente em 2026 é perto de zero.

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Mais importante de tudo, a ressurreição política de Bolsonaro só interessa a uma pessoa, o próprio ex-presidente. Os candidatos reais a enfrentar Lula – como os governadores Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Romeu Zema _ querem no máximo de Bolsonaro apareça na TV para apoiá-los. Há uma gigantesca diferença entre dizer em público que apoia Bolsonaro e dar sua vez para o ex-presidente.

Bolsonaro tem apoio fervoroso de milhões de eleitores, mas é odiado por outros milhões. Mesmo com Lula no seu pior momento, seis de cada dez eleitores paulistanos dizem que não votariam em um candidato apoiado pelo ex-presidente, segundo o Datafolha. Na pesquisa Genial/Quaest, Bolsonaro é o político mais impopular do país, com 54% de rejeição. Nos próximos dias, a Polícia Federal vai concluir o inquérito e indiciar Bolsonaro.

Nove de cada dez políticos que frequentam o ex-presidente concordam que o melhor cenário para a oposição é tê-lo inelegível, gerando uma nova aliança da oposição menos radical e mais previsível. Anistiar Bolsonaro seria recuperar a herança da tentativa de golpe e do negacionismo no combate à Covid, estraçalhar o avanço sobre os eleitores desiludidos com Lula e jogar a oposição numa divisão que dá um respiro para Lula.

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