Emmy 2011 – Comentários
“Mad Men” era a favorita da noite para os críticos, mas apesar de sua clara superioridade em relação às demais produções, sua vitória era duvidosa para Matthew Weiner, criador e produtor da série. Isto porque, indicada a 19 prêmios, conquistara, até então, apenas um prêmio, na categoria Melhor Penteado. Na cerimônia de prêmios técnicos, “Boardwalk […]
“Mad Men” era a favorita da noite para os críticos, mas apesar de sua clara superioridade em relação às demais produções, sua vitória era duvidosa para Matthew Weiner, criador e produtor da série. Isto porque, indicada a 19 prêmios, conquistara, até então, apenas um prêmio, na categoria Melhor Penteado. Na cerimônia de prêmios técnicos, “Boardwalk Empire” levou sete, derrotando “Mad Men” em quatro categorias.
Tendo perdido praticamente todos os prêmios nos quais foi indicada, inclusive o de melhor Roteiro (sendo que ela não concorria por Direção), a produção conseguiu mais uma vez surpreender e sair a grande vencedora da noite. Com isso, ela recebe pelo quarto ano seguido o reconhecimento da Academia, mesmo que sendo com um único prêmio, de longe o mais importante. Será o princípio do fim para a série que colocou o canal AMC no mapa televisivo?
Renovada para sua quinta temporada, a série ainda pode chegar a seis. Sua continuidade deverá depender do interesse e da situação financeira do canal que a exibe. Justamente por isso, sua vitória este ano é mais importante que nos anos anteriores. Depois de protagonizar uma disputa financeira, a série precisava provar ao AMC que valeu a pena. Afinal, a receptividade de “Mad Men” junto à crítica e no circuito de premiações levou o AMC a investir na produção de séries dramáticas. Mas apesar de tudo, o canal ainda mantém uma audiência considerada baixa. Ganhar prêmios dá ao AMC um reconhecimento dentro da indústria que lhe permite se manter investindo nessa área. Quando “Mad Men” perder o prêmio de melhor série, o canal poderá começar a perder terreno, caso não tenha nenhuma produção que a substitua.
Visto que “Breaking Bad” deve encerrar sua produção no ano que vem, e levando em consideração que até agora o AMC não conseguiu encontrar outras à altura destas duas séries, o futuro do canal no circuito de premiações é incerto.
Com sua vitória, “Mad Men” faz companhia a “The West Wing”, “Chumbo Grosso/Hill Street Blues”, “Tudo em Família”, “Comédias Dick Van Dyke” e “L.A. Law/Nos Bastidores da Lei”, que também ganharam o prêmio quatro vezes. A série de Matthew Weiner ainda perde para “Frasier”, que ao todo recebeu cinco Emmy de Melhor Série Cômica.
Já a vitória de “Modern Family” era esperada com tranquilidade. Nenhuma das produções concorrentes tinha consistência para derrotá-la. Ainda é cedo para saber se ela será a nova favorita da categoria para os próximos anos, mas se vencer em 2012 empatará com “30 Rock”.
Embora não esteja em ‘guerra’ com os outros canais, ainda não foi esse ano que a HBO conseguiu reconquistar seu ‘trono’ junto à Academia. Além de perder o prêmio de melhor série, com a qual concorria com duas super-produções, “Boardwalk Empire” e “Game of Thrones”, a HBO também foi desbancada na categoria Minisséries e Telefilmes, na qual vinha reinando quase que absoluta nos últimos anos.
Sendo praticamente o único canal americano que ainda produz minisséries e telefilmes, a HBO enfrentava pouca resistência nessa categoria. Mas, na noite de ontem, perdeu para a inglesa “Downton Abbey”, em uma vitória que era tida como garantida para “Mildred Pierce”. Nessa área, a HBO perdeu três dos cinco prêmios mais importantes: direção, roteiro e produção. Nas categorias técnicas, a produção perdeu para a série inglesa e para “The Kennedys”. Sem dúvida esta é uma vitória importante e significativa para uma produção que surgiu de fininho e sequer é oferecida pela BBC, parceira da HBO em diversas produções no Reino Unido.
Já na categoria de atores, os vencedores geraram discórdia entre fãs, como já se imaginava. Melissa McCarthy levando o prêmio por “Mike & Molly” e Jim Parsons por “The Big Bang Theory” desagradou muitos dos que torciam por Laura Linney, Amy Poehler e Steve Carell.
Com exceção de Margo Martindale, este ano não torci por nenhum ator, seja em série dramática, minissérie ou em comédia. O único trabalho que achei que precisava ser recompensado com um Emmy era o de Margo, que literalmente fez a temporada de “Justified”.
Maggie Smith, Kate Winslet, Julianna Margulies e Peter Dinklage eram esperados em suas respectivas categorias. Kyle Chandler concorreu pelo último episódio de “Friday Night Lights”, no qual ofereceu um belo trabalho, que justifica seu prêmio, a despeito de Jon Hamm disputar a mesma categoria. Outra surpresa foi a vitória de Barry Pepper, que interpreta Robert Kennedy na minissérie “The Kennedys”. Embora o roteiro desta produção oscile entre fraco a razoável, o ator conseguiu se destacar no elenco oferecendo uma interpretação segura e sensível, que faz com que nos interessemos mais por ele que por John Kennedy.
Na área de comédia, Jim Parsons era o favorito e sua vitória era esperada. O ator levou a vantagem de ser avaliado duas vezes, já que seu colega de série também concorria. Assim, os jurados viram mais Parsons e Galecki que Steve Carell e os demais. Esta mesma situação favorece os atores de “Modern Family”, “The Good Wife”, “Mad Men”, “The Kennedys” e “Mildred Pierce”. Quanto mais atores de uma mesma série concorrerem em uma mesma categoria, maiores serão as chances de um deles sair vencedor.
Steve Carell, por sua vez, concorreu com o episódio “Goodbye Michael”, que serviu de despedida do ator na série, mas não era material bom o suficiente para levar o prêmio. Para ele ganhar, a Academia teria que levar em consideração o conjunto da obra ou o valor afetivo. “The Office” teve um péssimo desempenho este ano, o que afetou o trabalho dos atores em geral.
No lado feminino, as atrizes concorriam por episódios que deixaram suas personagens em situações semelhantes. Melissa McCarthy, de “Mike & Molly”, protagoniza uma situação na qual sua personagem está insegura com seu primeiro encontro e, por acidente, ingere um medicamento que combinado com álcool a deixa desnorteada. Esta é uma situação clássica em comédia que favorece qualquer bom ator.
As concorrentes também disputavam por episódios nos quais suas personagens perdem o controle ou se sentem desnorteadas pelas situações em que se encontram. No caso de Laura Linney, que concorria pelo piloto de “The Big C”, sua personagem descobre que está com câncer e passa a tomar atitudes que normalmente não tomaria. No entanto, sua ‘loucura’ é mais poética que cômica. A personagem de Amy Poehler em “Parks and Recreation”, estava resfriada, levando-a a se tornar mais confusa do que normalmente é; Tina Fey, em “30 Rock”, também perde o controle no episódio em que está presa em um avião que nunca levanta vôo; Edie Falco, de “Nurse Jackie”, se descontrola quando seu estoque de comprimidos fica comprometido por um bando de ratos; e Martha Plimpton, de “Raising Hope”, se irrita quando sua personagem tenta conseguir uma foto em família perfeita e não consegue.
Assim, coube aos membros da Academia decidirem qual descontrole foi o mais engraçado ou que exigiu mais de sua protagonista. De qualquer forma, a cena das atrizes que disputavam o mesmo prêmio, juntas no palco, poderia servir para compensar qualquer ‘descontrole’ que fãs tenham tido com o resultado.
Segundo a imprensa americana, a ideia foi de Amy Poehler, que parece ter providenciado os apetrechos vistos mais tarde. Praticamente de última hora, ela sugeriu que todas subissem no palco quando os nomes das indicadas fossem anunciados. Mas parece que nada foi de fato combinado entre elas, apenas sugerido. Somente quando Amy subiu ao palco é que as outras teriam percebido que ela estava falando sério e a seguiram. Uma situação simples, sem grandes aparatos e que retratou o melhor momento em uma premiação há anos.
Embora não tenha oferecido momentos brilhantes, Jane Lynch conseguiu conduzir bem o evento. Em uma próxima vez poderiam dar a ela um texto mais trabalhado. Mas o mais importante é que vimos um evento saudável. Geralmente utilizada como plataforma para profissionais se estabelecerem ou mostrarem seu potencial e opiniões, os eventos de entrega de prêmios já estavam se transformando em shows de stand-up, deixando o verdadeiro motivo de sua realização em segundo plano. A cerimônia desse ano se desenrolou sem egos ou imprevistos constrangedores, o que foi um alívio para variar.
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