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Por Kelly Miyashiro
Críticas e análises sobre o universo da televisão e das plataformas de streaming
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‘O Consultor’: Christoph Waltz é vilão do mundo corporativo em série

Ator austríaco, mestre na interpretação sutil de personagens cavilosos, brilha na produção da Amazon

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 24 fev 2023, 10h11 - Publicado em 24 fev 2023, 06h00

O executivo Regus Patoff irrompe na produtora de jogos de celular mais bem-sucedida de Los Angeles alguns dias após o assassinato do dono da companhia, um coreano prodígio na casa dos 20 anos. Diante dos funcionários ainda em choque com a morte do chefe, o homem misterioso se apresenta como um consultor que assumirá a direção da empresa — e logo impõe mudanças drásticas e eticamente condenáveis, como demitir uma cadeirante por ter se atrasado dez segundos e ameaçar dispensar outra pessoa por não gostar de seu cheiro.

The Consultant

Interpretado por um impecável Christoph Waltz, o protagonista de O Consultor — nova série já disponível no Prime Video — agrega mais um tipo caviloso ao currículo do ator austríaco. Assim como o inesquecível oficial nazista e caçador de judeus Hans Landa de Bastardos Inglórios (2009), filme do Quentin Tarantino que lhe rendeu o Oscar de coadjuvante, o executivo da distopia corporativa da Amazon é daqueles monstros capazes de congelar o sangue do espectador. Sempre com um sorriso dissimulado no rosto, Patoff é metódico ao apontar seu lápis, brandir lugares-comuns motivacionais — e, sobretudo, apunhalar subordinados pelas costas.

Django Livre

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Apesar de ter tantos vilões memoráveis em sua carreira, Waltz se incomoda quando questionado por que gosta de representar homens perversos. “As pessoas podem olhar para minha carreira e enxergar só vilões, mas eu, não. Estou há mais de 45 anos na estrada. Acredite: interpretei mais mocinhos que carrascos”, disse o ator de 66 anos em entrevista a VEJA. O fato é que ele brilha nos dois extremos. O desalmado carrasco nazista de Bastardos Inglórios encontra um contraponto no caçador de recompensas Schultz de Django Livre (2012) — outra produção de Tarantino que lhe trouxe o Oscar. No faroeste antiescravagista, o personagem surge com ares vilanescos, mas revela-se do bem ao ajudar a libertar o negro Django. Depois disso, Waltz voltou à pele de um malfeitor rematado como Blofeld, algoz de James Bond em 007 — Contra Spectre (2015).

A revolução dos bichos

Nascido em Viena, o ator cresceu mergulhado na arte graças à mãe, figurinista e filha de um casal de atores austríacos, e ao pai, um cenógrafo alemão. Estudou teatro, mas logo se mudou para os Estados Unidos, e depois Londres, para se aperfeiçoar. A peregrinação fez com que virasse fluente em inglês, francês e alemão, como demonstra brilhantemente na sequência inicial de Bastardos Inglórios. Foi só com o filme de Tarantino, aliás, que ganhou fama mundial — antes, era o típico ator de produções de arte europeias.

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Uma vez descoberto por Holly­wood, Waltz também atuou em muitas amenidades esquecíveis, como a comédia Quero Matar Meu Chefe 2 (2014) — já que nenhum astro é de ferro diante de bons cachês. Mais recentemente, foi o narrador sensível da animação Pinóquio por Guillermo del Toro (2022), que concorre ao Oscar na categoria. Entretanto, por mais que renegue o rótulo, é como vilão que Waltz arrebata o público. Em O Consultor, seu Regus Patoff é o perfeito pesadelo dos jovens millennials ávidos pelo sucesso na indústria criativa. Para o ator, curiosamente, o personagem não é um chefe abusivo. “Não o vejo assim. Ele surpreende no final da série”, diz. É difícil odiar o malvado favorito das telas.

Publicado em VEJA de 1º de março de 2023, edição nº 2830

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Django Livre
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