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Juliana Paes fala sobre Pedaço de Mim: ‘Tem machismo em todos os lados’

Mistura de novela e série, produção da Netflix trata de questões delicadas, como aborto e abuso sexual

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jul 2024, 14h32

Série dramática que domina o top 10 da Netflix, Pedaço de Mim prende a atenção com uma história visceral sobre maternidade, abuso sexual, traição, machismo e até luto usando como fio condutor uma condição médica raríssima: a superfecundação heteropaternal. Na trama, Liana (Juliana Paes) engravida de dois homens ao mesmo tempo: do marido, Tomás (Vladimir Brichta), e de Oscar (Felipe Abib), homem que a estupra após ela ficar inconsciente devido à ingestão de álcool e drogas. Em entrevista a VEJA, a protagonista falou sobre as questões delicadas que a história de novela aborda.

Pedaço de Mim trata rapidamente no começo do direito ao aborto em caso de estupro, já que o Oscar (Felipe Abib) abusa sexualmente da sua personagem, Liana. Como é encarar esse paralelo com a vida real em que esse direito corre risco de acabar enquanto a Câmara dos Deputados discute uma PL que quer equiparar o aborto a homicídio? Acho que acabou sendo uma uma coincidência, não sei se é feliz ou infeliz, né? Porque a gente nem devia estar debatendo isso agora, mas enfim, acho que de alguma maneira precisamos debater essas questões. O que eu posso relacionar assim com a com a série é que ali existe uma escolha da personagem, decidir se queria levar adiante ou não aquela gestação. Acho que o mais importante desse debate agora é que a gente possa de fato desvirtuar um pouco a questão de abuso, de estupro e de aborto das questões religiosas, para que a gente possa debater isso com seriedade e como uma questão de saúde pública — que é o que é, então que bom que a gente acabou conseguindo.

É uma história que fala muito do feminino, certo? Sim. A Liana tem esse desejo de maternidade, e a história mostra como esse sonho pode afetar nossas escolhas, e fala do machismo e como ele impacta a vida da mulher de uma forma que cobre todos as veias da nossa vida. O machismo permeia todos os caminhos da personagem, que tem que acolher o marido traidor, que demora a entender o estupro, que vê a amiga não acreditar no abuso que ela sofreu só porque o abusador é irmão dela. A série não debate não só essa PL absurda como também esse machismo todo de maneira abrangente.

Nesse formato, Pedaço de Mim é muito mais rápida do que uma novela tradicional com mais de 180 capítulos. Com isso, o Tomás descobre o segredo em alguns episódios, enquanto em uma novela isso talvez levasse um mês ou dois. Como foi trabalhar com essa dinâmica? Foi muito trabalhoso, porque são muitas muitas emoções concentradas, muitas coisas acontecendo juntas, a trama da superfecundação indo muito rápida, porque ela é só o plot inicial. Ele é muito forte, mas ele é só o começo para todos os desdobramentos que vêm em seguida. E é muito bom fazer esses acontecimentos assim tão condensados, que vão acontecendo numa velocidade rápida. Em uma novela, esses desenvolvimentos emocionais demoram para acontecer. Foi desgastante, mas também gratificante e estimulante.

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