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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Tupperware pode ser ‘teipuer’? Não, mas pode ser ‘tapoé’

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Por Sérgio Rodrigues 12 jan 2012, 13h08 • Atualizado em 31 jul 2020, 09h46
  • tapo%c3%a9

    Prezado mestre, minha dúvida é bem caseira. Sabe aquelas vasilhas chamadas tupperware? Como devemos chamá-las em português? O que mais ouço por aí é ‘teipuer’, mas acho que está errado. Também, ô palavrinha enrolada, será que não dava para simplificar? (Antonio Augusto Amaral)

    Dava, claro que dava para simplificar. Mas o fato é que não simplificamos e agora parece tarde: Tupperware, marca registrada da mais bem sucedida linha de recipientes plásticos de alta vedação usados para conservar alimentos na cozinha, virou um nome tão familiar que passou a sonhar com uma promoção a substantivo comum, seguindo o caminho de outras marcas mais famosas – gilete, chiclete, xerox, durex etc.

    Até aí, tudo bem. Criada em 1946 pelo industrial americano Earl Tupper – que se limitou a juntar seu sobrenome com ware, coletivo de artefatos da mesma categoria –, a marca foi popularizada nas décadas seguintes por um sistema agressivo e engenhoso de venda porta a porta. Hoje os produtos que nomeia são comercializados em cerca de cem países.

    O problema é que, destoando das marcas citadas acima, tupperware não é, nem na grafia nem na pronúncia, uma palavra de aclimatação simples em português. A forma acústica que parece estar vencendo a guerra entre nós, aquela que Amaral reproduz como “teipuer”, é embaraçosa: inventa um tape, “fita”, com sua sonoridade que o videoteipe tornou de uso corrente, onde não há nenhum. Na escala da anglofilia equivocada, tapeware fica apenas um ou dois degraus abaixo do making off com efe dobrado.

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    A pronúncia correta em inglês é algo como “taper-uér”. Mas quem disse que devemos fidelidade à forma original de uma palavra tão “enrolada”, como diz Amaral? É claro que não devemos. No momento em que um estrangeirismo adentra nosso vocabulário, precisa estar preparado para tudo – questão de soberania.

    No entanto, uma solução que respeite o espírito de nossa língua será sempre preferível a uma que finja falar inglês sem falar de fato. É por isso que eu acho simpaticíssima a solução encontrada pelo lojista anônimo na foto ali em cima: tapoé. Uma obra-prima de aportuguesamento que tem a minha calorosa torcida: quem sabe um dia ela desbanca essa bobagem de “teipuer”?

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