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Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Trégua, a hora da verdade

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Por Sérgio Rodrigues 10 jul 2012, 16h55 | Atualizado em 31 jul 2020, 08h25

Aproveito a deixa da trégua de uma semana que dei para os leitores do Sobre Palavras, por causa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), para falar sobre a origem desse substantivo que o português medieval foi buscar ainda no século 13 no latim tardio tregua, a mesma fonte do francês trêve e do italiano tregua.

A curiosidade aqui é o fato de o latim ter tomado a palavra emprestada do germânico, ramo linguístico onde brotaram desde o antigo gótico até as línguas escandinavas, o alemão, o holandês e o inglês, entre outros idiomas falados por povos que, não por acaso, tinham familiaridade com a guerra.

Sabe-se que a trégua é uma pausa no quebra-pau, uma clareira negociada na selva de um conflito bélico. O Houaiss traz três acepções: “suspensão temporária de hostilidades, especialmente por acordo entre as forças contrárias; cessação temporária de estado ou ação desagradável; cessação de atividade, férias, descanso”. Naturalmente, o sentido que usei ao falar da semana que passou é o terceiro, nascido por figuração. Mas é o primeiro que está no núcleo da palavra.

Tudo indica que a fonte imediata do termo latino foi o gótico triggwa, mas a família germânica que abrigava esta tinha muitas outras palavras com sentidos semelhantes, como treow no inglês arcaico e trouwe no holandês medieval, segundo o dicionário etimológico de Douglas Harper. Todas queriam dizer “confiança, boa-fé” e, por extensão, “acordo, tratado (firmado com boa-fé)”.

Truce, que significa trégua no inglês moderno e que tem aproximadamente a idade do nosso vocábulo, veio da mesma matriz. É muito interessante notar o parentesco próximo de truce com truth, “verdade”, palavra que também nasceu da ideia de confiança, para designar aquilo que era digno dela.

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