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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Sobre a persistência dos sintomas

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Por Sérgio Rodrigues 14 out 2010, 15h41 | Atualizado em 31 jul 2020, 13h56

“Circulam por aí duas versões do alerta que o Ministério da Saúde manda incluir na publicidade de remédios: ‘Ao persistirem os sintomas, consulte o seu médico’ e ‘A persistirem os sintomas…’. Gostaria de saber qual das duas é a correta.” (Iris Fonseca)

Eis um raro caso de consulta linguística com resposta simples. “A persistirem os sintomas…” é a forma correta. “Ao persistirem os sintomas…” contém um erro que é ao mesmo tempo gramatical e lógico.

Tecnicamente, ambas são orações subordinadas reduzidas com verbo no infinitivo. A diferença é que “a persistirem os sintomas…” tem sentido condicional, enquanto “ao persistirem…” é temporal.

Não se trata de nada tão enrolado quanto parece. Outros exemplos ajudam a deixar mais clara a diferença. Condicional: “A se confirmar a previsão (ou seja, se ela se confirmar), teremos chuva o mês inteiro”. Temporal: “Ao sair (isto é, quando sair), apague a luz”.

Fica faltando apenas explicar por que a intenção do tal alerta só pode ser incentivar o paciente a procurar ajuda médica se – e jamais quando – os sintomas persistirem. Pela razão simples de que o verbo “persistir” traduz uma ação que se alonga no tempo, o que torna impossível situar com precisão o momento em que a persistência se dá.

Não se diz, por exemplo, que “os sintomas persistiram às duas da manhã”. Tal frase exige o pretérito imperfeito, “persistiam”, deixando indefinido o momento em que começou a ação. A persistência é algo que se constata quando os sintomas se recusam a desaparecer após um intervalo razoável – e sempre indeterminado. “A persistirem os sintomas…”, portanto, é a resposta à dúvida de Iris.

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