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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Randômicos protestos

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Por Sérgio Rodrigues 18 jun 2013, 14h24 | Atualizado em 31 jul 2020, 05h59

Não adianta protestar – embora não se tire de ninguém esse direito – contra o adjetivo randômico. Sim, é claro que estamos diante de um anglicismo aparentemente desnecessário e adaptado a tapa, formado a partir do adjetivo random. O problema é que não produz resultados práticos espernear contra palavras que um número expressivo de falantes decide usar.

Random surgiu em inglês em meados do século XVII com o sentido de “que não tem objetivo ou propósito definido”, uma palavra com raízes germânicas plantadas na ideia de uma corrente que flui impetuosamente, sem respeitar limites.

A tradução de random em bom português sempre foi um termo de nobres raízes latinas: aleatório, ou seja, “casual, fortuito, que se deixa ao acaso”. Palavra do século XVIII, aleatório traz como bônus o fato de carregar um eco claro da famosa frase do general romano Júlio César ao decidir desafiar o Senado: Alea jacta est, “A sorte está lançada”.

Criação recente – certamente do século XX, embora a data seja imprecisa – e empregado a princípio apenas no vocabulário especializado dos estatísticos, o adjetivo randômico já está dicionarizado. No entanto, sua adoção na linguagem comum sempre me pareceu obedecer apenas à lógica da submissão ao inglês, sem nenhum proveito para a expressividade lusófona.

Isso mudou com as manifestações populares que agitam diversas capitais brasileiras há uma semana. Sem comando claro e expressando um amplo espectro de insatisfações, seria um equívoco chamar a onda de protestos de aleatória (afinal, é produto de uma conjuntura histórica precisa), mas faz sentido vê-la como randômica na pureza etimológica do termo (“que corre impetuosamente e sem rumo definido”).

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