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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Pânico, o terror que veio do deus Pã

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Por Sérgio Rodrigues 23 jun 2015, 13h53 | Atualizado em 31 jul 2020, 01h05
Pânico, o terror que veio do deus Pã Priorizar nos meus resultados Google

deus pan 2Sobram os mais diversos motivos de pânico no Brasil de 2015. Pânico, como se sabe, é um substantivo masculino que o Houaiss define assim: “1. susto ou medo, geralmente sem fundamento; 2. susto ou medo súbito que pode provocar uma reação descontrolada de um indivíduo ou de um grupo”.

Reconheça-se que, em nossa atual conjuntura política e econômica, a segunda acepção tem sido mais requisitada, pois fundamentos não faltam.

A curiosidade dessa palavra é o fato de ter nascido no grego antigo como adjetivo, Panikós. Queria dizer “relativo a Pã”, isto é, ao deus das matas e da natureza, dos rebanhos e dos pastores, um deus flautista e altamente erotizado que tinha chifres e patas de bode.

Como se atribuíssem a Pã os ruídos aterrorizantes da noite dos campos, surgiu a expressão tárakhos Panikós – em tradução literal, “terror pânico”.

O pânico ainda era exclusivamente adjetivo – o que é até hoje, embora em acepção minoritária – quando em 1572 adentrou nossa língua pela mais nobre das portas: o grande texto de fundação do português moderno, o poema épico “Os Lusíadas”, de Luís de Camões.

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No Canto III, Camões narra a improvável vitória militar de um punhado de portugueses ferozes contra um inimigo muito mais numeroso (“que tão pouco era o povo batizado/ que para um só cem mouros haveria”), mas frouxo, “dum pânico terror todo assombrado”.

De tanto escoltar o medo, e apenas ele, o adjetivo “pânico” acabou por se lançar em fins do século XIX em carreira solo como substantivo.

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