Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Sobre Palavras Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO

Por Sérgio Rodrigues
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.
Continua após publicidade

Palavra do ano: Ministro, Minister – não é cigarro, mas queima

Seis ministros de Dilma Rousseff caíram em 2011, derrubados por escândalos diversos. Ainda que fosse apenas pela insistência, a palavra do ano teria que ser “ministro”, escolhida para enfeitar a coluna do dia 19 de novembro: Ministro não é só quem está – por enquanto – no ministério da Dilma. Há ministros também em tribunais, […]

Por Sérgio Rodrigues
Atualizado em 31 jul 2020, 09h51 - Publicado em 24 dez 2011, 09h00

Seis ministros de Dilma Rousseff caíram em 2011, derrubados por escândalos diversos. Ainda que fosse apenas pela insistência, a palavra do ano teria que ser “ministro”, escolhida para enfeitar a coluna do dia 19 de novembro:

Ministro não é só quem está – por enquanto – no ministério da Dilma. Há ministros também em tribunais, igrejas e embaixadas. A palavra vem do latim minister, que já se prestou a ser marca de cigarro e em sua língua natal floresceu numa penca de sentidos, de “servente doméstico, escravo” (Virgílio) a “ministro d’um deus, sacerdote” (Cícero e Ovídio) e “ministro d’um rei” (Justino), como ensina o bom Saraiva.

Desde seu primeiro uso documentado em português, no século 14 – com o sentido, hoje em desuso, de “aquele que executa os desígnios de outrem; medianeiro, intermediário” (Houaiss) – poucas vezes em nossa história terá tido a palavra ministro as sinistras conotações de algo tão periclitante, tão sujeito a se estorricar, como nos últimos tempos.

Ministro Lupi, o da vez – minister Lupi – seria em etimologia poética e latim bárbaro um bando de cães vorazes escravos de um deus, a quem servem. Qual?

Continua após a publicidade

*

Para provar que a política brasileira andou dando voltas em torno dos mesmos temas, podem fazer companhia a ministro as palavras corrupção e patrimônio. A primeira foi comentada em setembro no post “A corrupção nasceu no desvio, mas aderiu ao sistema”:

A absolvição da culpadíssima deputada Jaqueline Roriz por seus pares, na última terça-feira, deixa claro mais uma vez que essa velha ideia da corrupção como desvio ou decadência já não dá conta do principal: aquilo que a prática tem de institucional, de consagrado, de sistêmico.

Continua após a publicidade

No reino da matéria orgânica, o destino do que é podre é ser jogado fora para não contaminar o que é sadio, ponto final. Se não é esse o destino do corrupto, fica comprovado que alguma outra coisa – não apenas ele – não cheira bem.

A segunda veio antes, em junho, quando caiu a primeira peça do dominó dos ministros, no post “Palocci e o patrimônio”:

O patrimônio do ministro Antonio Palocci, que cresceu vinte vezes em quatro anos, é uma palavra curiosa. Vinda do latim patrimonium – que já nasceu com o sentido que carrega até hoje em português, o de conjunto dos bens paternos, posses de família, herança –, guarda com a palavra matrimônio uma reveladora relação de falsa simetria. Uma deriva de pater, “pai”. A outra, de mater, “mãe”. E terminam aí as semelhanças.

Continua após a publicidade

Que 2012 seja um ano rico em palavras de outro tipo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.