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A fruta mais popular do mundo está sob ameaça — e o motivo é a crise climática

Até 2080, dois terços das terras utilizadas para a cultura da banana estarão imprestáveis

Por Ernesto Neves 12 Maio 2025, 12h22 • Atualizado em 12 Maio 2025, 14h20
  • A crise climática está colocando em risco o futuro da fruta mais popular do planeta. Segundo uma nova pesquisa da organização Christian Aid, quase dois terços das áreas produtoras de banana na América Latina e no Caribe podem se tornar impróprias para o cultivo até 2080.

    Temperaturas em alta, eventos climáticos extremos e o avanço de pragas associadas às mudanças do clima vêm afetando duramente países como Guatemala, Costa Rica e Colômbia — principais produtores da fruta na região.

    Os impactos incluem queda na produtividade e prejuízos profundos às comunidades rurais, de acordo com o relatório Going Bananas: How Climate Change Threatens the World’s Favourite Fruit.

    As bananas ocupam o posto de fruta mais consumida no mundo e são o quarto alimento mais importante para a segurança alimentar global, atrás apenas do trigo, arroz e milho.

    Cerca de 80% da produção global é voltada para o consumo local, e mais de 400 milhões de pessoas dependem da fruta para obter entre 15% e 27% de suas calorias diárias.

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    Estima-se que 80% das bananas exportadas para supermercados ao redor do mundo venham da América Latina e do Caribe — uma das regiões mais vulneráveis aos efeitos de desastres climáticos, tanto os de ocorrência súbita quanto os de evolução lenta.

    Apesar disso, essa cultura essencial para a segurança alimentar e os meios de subsistência de milhões está sob ameaça direta das ações humanas que agravam o aquecimento global.

    A banana, especialmente a variedade cavendish, é uma fruta sensível. Para se desenvolver, precisa de temperaturas entre 15°C e 35°C e de uma quantidade precisa de água — nem pouca, nem em excesso.

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    Também é altamente vulnerável a tempestades, que podem danificar as folhas das plantas e comprometer a fotossíntese.

    Embora existam centenas de variedades, a cavendish domina o mercado internacional de exportação por ter sido escolhida por grandes conglomerados do setor por sua produtividade, resistência e sabor.

    No entanto, essa uniformidade genética tornou a cultura ainda mais exposta aos impactos do clima em rápida transformação.

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    Além de afetar diretamente as condições ideais para o cultivo, a crise climática está contribuindo para a proliferação de doenças fúngicas que já vêm dizimando plantações e comprometendo a subsistência de agricultores.

    Um dos principais problemas é o fungo conhecido como “mal-do-panamá” (fusarium tropical race 4), um microrganismo de solo que tem devastado plantações da variedade cavendish em diversas partes do mundo, agravado pelo aumento das temperaturas e pela mudança nos padrões de chuva.

    Outro inimigo preocupante é o fungo da mancha negra, que pode reduzir em até 80% a capacidade de fotossíntese da planta.

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    Ele se desenvolve especialmente em condições úmidas, o que torna os bananais ainda mais vulneráveis a chuvas irregulares e inundações, fenômenos cada vez mais comuns em função das mudanças climáticas.

    Diante do cenário alarmante, a organização Christian Aid cobra dos países ricos e mais poluentes uma transição urgente para longe dos combustíveis fósseis, além do cumprimento das promessas de financiamento climático para apoiar comunidades em adaptação às novas condições ambientais.

    No Brasil, a banana ocupa papel de destaque na segurança alimentar e na economia rural. É a segunda fruta mais consumida no país, atrás apenas da laranja, e está presente na alimentação diária de milhões de brasileiros.

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    Cultivada em praticamente todos os estados, a produção nacional é voltada majoritariamente ao mercado interno, sustentando milhares de pequenos e médios agricultores.

    Embora o país não esteja entre os principais exportadores globais, mudanças no clima e a disseminação de doenças como o Fusarium 4 já acendem o alerta entre produtores e pesquisadores, que veem a necessidade urgente de investimentos em adaptação, diversificação genética e práticas agrícolas mais resilientes.

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