O papo aqui é o papa
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A rumorosa entrada de Bento 16 na campanha presidencial brasileira – campanha que, sim, acabou, o que para muita gente é uma prova de que Deus existe e é misericordioso – guindou “papa” ao posto de palavra da semana.
A palavra saiu em última análise, passando pelo latim papa ou pappa, do vocábulo grego páppas. Era inicialmente apenas uma forma infantil e afetuosa de chamar o pai ou o avô, mais tarde ampliada para abarcar autoridades religiosas. Quando chegou ao catolicismo – o que ocorreu em algum momento do século 3, na estimativa do influente filólogo catalão Joan Corominas –, o termo tinha aplicação ampla, servindo para designar com certa liberalidade bispos e padres.
Ou seja: embora se repita com frequência que São Pedro foi o primeiro papa, isso só é verdade se injetarmos na história uma boa dose de licença poética. Nos primeiros séculos da Igreja, o bispo de Roma viu seu papel de liderança se acentuar pouco a pouco, mas ainda não tinha a autoridade de um papa e nem mesmo, como se viu, o nome de papa.
O primeiro papa a usar esse título honorífico foi Libério (352-366), mas só no século V o termo passou a ser exclusivo do bispo de Roma. Por essa mesma época, em perfeita comunhão entre palavra e coisa, consolidou-se seu enorme poder.





